Banca & Finanças Administrador dissidente de Tomás Correia candidata-se ao Montepio

Administrador dissidente de Tomás Correia candidata-se ao Montepio

Fernando Ribeiro Mendes é o primeiro nome a assumir que se vai candidatar à presidência do Montepio. As eleições são em Dezembro.
Administrador dissidente de Tomás Correia candidata-se ao Montepio
Diogo Cavaleiro 12 de julho de 2018 às 17:03

Escreveu um texto de opinião no Público, a pedir um virar de página no Montepio, e acabou sem pelouros na administração da associação mutualista Montepio Geral. Voltou a recuperar os pelouros, mas não vai apoiar uma eventual recandidatura do actual presidente, António Tomás Correia, que considera não ter condições para continuar no cargo. Por isso, vai ele próprio candidatar-se a líder da mutualista.

 

Fernando Ribeiro Mendes é administrador da mutualista do Montepio, sendo economista e tendo sido já governante: secretário de Estado da Segurança Social e secretário de Estado da Indústria, Comércio e Serviços. O Jornal Económico escreveu esta terça-feira que Ribeiro Mendes se ia candidatar. O Negócios não conseguiu chegar à fala com o responsável do Montepio, mas confirmou esta informação.

 

Aliás, o Expresso vai publicar uma entrevista com Ribeiro Mendes no próximo sábado, mas revelou já algumas considerações que tece sobre Tomás Correia e o motivo pelo qual considera que não se deveria recandidatar.

 

"Em primeiro lugar porque tem um perfil profissional muito marcado pela banca, um domínio que conhece bem mas que não é o mais ajustado para a associação em termos de competências e desafios. E, em segundo lugar, por uma razão evidente: quem defronta dúvidas por parte do sistema judicial e da supervisão bancária sobre a qualidade e a correcção da sua gestão anterior — claro que tem direito à presunção de inocência — não está na melhor das condições de liderar a associação, como se tem visto ao longo destes dois últimos anos", cita o semanário.

 

Ainda não tem apoio de listas de 2015

 

Ribeiro Mendes não esperou pelo consenso entre as várias listas candidatas nas eleições de 2015, sufrágio que acabou com Tomás Correia reeleito.

 

É uma intenção assumida pelas várias forças – desde Viriato Silva e Carlos Areal, ligados ao economista Eugénio Rosa, a António Godinho, João Proença, Bagão Félix e outros – a constituição de uma lista forte de oposição a Tomás Correia, motivo pelo qual tem havido reuniões para chegarem a um consenso.

 

Neste momento, segundo informações obtidas pelo Negócios, Ribeiro Mendes comunicou a intenção de avançar com a sua candidatura, mesmo sem esperar pelo consenso. Mas poderá ainda vir a beneficiar deste apoio. Tudo dependerá da capacidade de responder às exigências e conversas com estas forças.

 

Pelo meio, também João Costa Pinto, antigo presidente do Crédito Agrícola e ex-vice governador do Banco de Portugal, sem estar ligado a estas antigas listas, está disponível para se candidatar à presidência do Montepio. 

 

Já António Tomás Correia tem mantido tabu sobre o que vai fazer: se vai recandidatar-se ou não ao cargo, onde está desde 2008. "Não digo nem que sim nem que não", é o que vai dizendo.

 

Eleições são em Dezembro, Código chega depois

 

Tudo isto enquanto se aguarda novidades em relação à supervisão do Montepio. O Conselho de Ministros já aprovou o novo Código das Associações Mutualistas, que vai colocar a maior associação mutualista do país sob vigilância da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), diploma já aprovado pelo Presidente da República, mas que aguarda publicação em Diário da República.


Havendo um período de seis meses para a definição de quais as entidades que vão passar para o olhar da ASF (que ainda não começou a contar porque ainda não houve a publicação em Diário da República), as novas regras trazidas pelo Código só deverão estar implementadas no próximo ano, já depois das eleições.

 

Os estatutos do Montepio – que vão ter de ser alterados por via desta modificação legislativa – prevêem eleições em Dezembro. Em Outubro, portanto, têm as listas de estar definidas, pelo que, até lá, antecipam-se conversações das várias forças. E isto enquanto ainda não há novas regras. 




pub