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Álvaro Sobrinho: "Estes três mil milhões nunca saíram do BES para o BESA"

Álvaro Sobrinho garante que os 3.300 milhões de euros "nunca saíram do BES em Portugal", porque era sempre a casa-mãe que fazia as operações através da sua conta no BNA. "O BESA pagou 700 milhões de dólares em juros nos últimos três anos".

Maria João Gago mjgago@negocios.pt 18 de Dezembro de 2014 às 16:50
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"Grande parte desta linha [de financiamento do BES ao BESA, no valor de 3.300 milhões de euros] foi para 'trade  finance', para o apoio às relações comerciais de empresas portuguesas com Angola. Muitos destes clientes eram importadores e exportadores. O crédito ficava no BESA e recebiam no BES esse dinheiro", explicou Álvaro Sobrinho, em resposta a deputada do CDS Cecília Meireles.

 

"O exportador recebia o dinheiro, mas o importador, que devia pôr o dinheiro no banco, não pagava a carta de crédito. Uma percentagem elevada, isto aconteceu, o que deixava o crédito no banco. E deixava de ser uma responsabilidade extrapatrimonial", passando a estar reflectido no balanço da instituição, afirmou o antigo banqueiro para explicar o aumento do malparado do banco. 

 

O antigo presidente do BESA garantiu que "estes três mil milhões nunca saíram do BES para o BESA. O BES era o único banco correspondente que o BESA tinha. Todas as operações com bancos nacionais ou internacionais eram sempre feitos no BES", repetiu.

 

"O dinheiro ficou no BES em Portugal", insistiu, adiantando que parte deste crédito foi usado para tomar firme parte de uma emissão de dívida pública angolana, emissões que vencem em 2018 e que ainda estão no balanço do BESA.

 

"A linha de 3.000 milhões foi feita em 2008, era de cerca de um bilião de dólares e tinha como objectivo tomar firme uma emissão de dívida pública. Foi usada para tomar parte da operação. Não fomos o único banco angolano a participar na operação. Foi uma emissão a 10 anos", explicou.

Sobrinho revelou ainda que "o BESA pagou nos últimos três anos ao BES 700 milhões de dólares de juros", relativos à remuneração deste crédito. "Tínhamos um custo de financiamento de 10% numa altura em que a libor estava 'flat'", adiantou, lamentando o facto de o BESA pagar uma taxa de juro de 10% numa altura em que uma das taxas de referência estava próxima do zero.

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