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Angola foi o que mais mudou para o CaixaBank entre as duas OPA ao BPI

É um jogo de descubra as diferenças entre a OPA de Fevereiro de 2015 e a oferta de Abril de 2016. O preço é diferente mas a justificação é a mesma e as condições da oferta mantêm-se. Mas o BFA tem agora uma importância que não tinha.

Fernando Ulrich
Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 18 de Abril de 2016 às 14:25
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Com 14 meses de distância, vieram duas ofertas públicas de aquisição de Barcelona. O alvo do CaixaBank, que pertence ao grupo La Caixa, foi o mesmo: o BPI. Há semelhanças entre as duas operações, como a necessidade do fim dos limites aos direitos de voto no banco português. Há diferenças. O preço é um exemplo. Também o é o tratamento da exposição a Angola.

 

"O BPI opera uma marca líder em Portugal e Angola", indicava o CaixaBank na sua apresentação de Fevereiro de 2015. Aí, avançava com dados consolidados do BPI, juntando, sem discriminar, o negócio português e o das duas participadas africanas, em que o Banco do Fomento de Angola (BFA) é a mais importante. Os números relativos ao BFA eram limitados. O que não acontece em Abril de 2016.

 

Na apresentação publicada esta segunda-feira, 18 de Abril, há uma página específica para o negócio doméstico do BPI e uma outra para a "marca líder e rentável em Angola". "Excelente trajectória com um rendimento histórico consistentemente excepcional" e "mais de 20 anos de história com excelente reputação e reconhecimento externo" são apenas duas considerações feitas que não constavam do documento de há 14 meses.

 

A primeira OPA sobre o BPI, onde o CaixaBank tem 44,1% do capital mas direitos de voto limitados a 20%, foi lançada dois meses depois de o BPI admitir que tinha uma excessiva exposição a Angola que obrigava a repensar a sua estratégia com o BFA. A segunda é lançada já depois de concluído o prazo dado pelo Banco Central Europeu para cumprir a diminuição daquela exposição.

 

"O CaixaBank continuará a empenhar os seus esforços na procura de uma solução para o excesso de concentração de riscos", é uma das alíneas inscritas na apresentação desta segunda-feira. Há um ano, não constava da apresentação. Aliás, o banco catalão ignorava esse aspecto na OPA, dizendo que a forma escolhida para cumprir as exigências do BCE era uma "decisão do BPI". Agora, assume uma questão como sua.

 

"Foi solicitada a suspensão de todo o procedimento de sanção do BCE pelo excesso de concentração de riscos em Angola para permitir ao CaixaBank encontrar uma solução". O banco catalão acrescenta que mantém sempre o BCE informado, "a todo o momento".

 

Comprar BPI abre porta a opções em Angola

 

O CaixaBank considera que a proposta de compra do BPI é "atractiva" tanto para os accionistas do banco português como os seus próprios accionistas. Mas há um ano, nada era dito sobre Angola: nem para os detentores de capital do banco liderado por Fernando Ulrich nem para os do banco catalão.

 

Este ano, isso não acontece. Para o BPI, é sublinhado que o CaixaBank vai procurar uma solução para o BFA. Já os accionistas do grupo catalão "beneficiam de um potencial de crescimento do BPI no longo prazo, ao mesmo tempo que conservam a opção sobre a atractiva marca angolana".

 

Há um ano, o BFA era a arma para convencer Isabel dos Santos, a segunda maior accionista do BPI, com 18,6%, a vender a sua posição na OPA. Agora, já não há procura por acordo, pois o entendimento anunciado a 10 de Abril deste ano caiu por terra, com a gestão de Fernando Ulrich a atirar culpas para um recuo da empresária angolana. A OPA avança, tal como um diploma que acaba com os limites de direitos de voto que, no BPI, faziam com que o CaixaBank votasse apenas com 20% dos direitos, quase tantos quanto os de Isabel dos Santos. Sendo o diploma posto em prática, tira a palavra final à filha do presidente angolano.

 

Sem restrições ao investimento

 

Quando fala na racionalidade da OPA, tanto em Fevereiro de 2015 como em Abril de 2016, o CaixaBank menciona o "negócio atractivo" com que pretende ficar com a compra do BPI bem como sublinha o facto de a operação ser "financeiramente atractiva".

 

O negócio através do qual o CaixaBank aumenta a posição no BPI é "o passo lógico na expansão internacional" do grupo, indica a entidade presidida por Gonzalo Gortázar nas duas datas. Mas, agora, a ideia é que ficam eliminadas as "restrições ao investimento".

 

Menos sinergias, menos preço

 

Uma outra mudança tem que ver com as sinergias estimadas com a junção do BPI no CaixaBank. Perto de 40 milhões para o primeiro ano, 70 milhões para o segundo e 85 a partir do terceiro. São poupanças abaixo das previstas na OPA de há um ano em que, embora não houvesse sinergias no primeiro ano, estimavam-se 100 milhões para o segundo e 130 para o terceiro. 

 

Um aspecto que não era mencionado há um ano era a situação do BPI em termos "de solvência e rentabilidade desde 2014". O banco teve lucros de 236,4 milhões em 2015. 

 

O preço prometido muda: 1,113 euros em Abril de 2016 comparam com os 1,329 euros de Fevereiro de 2015. Mas a justificação é a mesma: a contrapartida é equivalente ao preço médio ponderado por volume nos seis meses anteriores.

 

As condições para que a OPA seja bem-sucedida são idênticas: o CaixaBank continua a querer alcançar 50%; além das autorizações de reguladores, é necessário ainda desblindar os estatutos com a eliminação dos limites de voto de 20% numa assembleia-geral do BPI. O que será feito ou com a aceitação de Isabel dos Santos ou com o diploma proposto pelo Governo de António Costa e já promulgado por Marcelo Rebelo de Sousa. 



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