Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Antiga administração da CGD no BPN está “estupefacta” com “calúnias” e ameaça com tribunais

Os antigos responsáveis do BPN, após a nacionalização, mostram-se “tranquilos” com a sua actuação na liderança do banco. Sem nomearam nomes ou entidades, defendem que caso o caminho das “insinuações” se mantiver, vão actuar “nas instâncias próprias”. Completam-se cinco anos da nacionalização do BPN.

Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 01 de Novembro de 2013 às 16:13
  • Assine já 1€/1 mês
  • 39
  • ...

A administração do BPN nomeada pelo Estado e pela Caixa Geral de Depósitos após a nacionalização do banco, em 2008, considera que está a ser alvo de “calúnias e insinuações”. É esta a reacção aos indícios de crime sugeridos pela sociedade pública que ficou com os activos tóxicos do BPN, noticiada esta sexta-feira, 1 de Novembro, pelo “Diário de Notícias”.

 

“A administração nomeada pelo Estado/CGD para assegurar a gestão do ex-BPN aquando da sua nacionalização está estupefacta com os recorrentes ataques e insinuações de que tem sido alvo”, indica o documento assinado pela “equipa de administração do BPN nacionalizado”. Esta primeira equipa nomeada para o BPN pela CGD era liderada por Francisco Bandeira e contava com Mário Gaspar, Norberto Rosa, Pedro Cardoso, Rui Pedras, José Soares e Jorge Pessoa.

 

No comunicado, não é referido quem é que a administração considera que faz os ataques e que lança as "calúnias". Mas o documento é enviado às redacções no dia em que o “Diário de Notícias” dá conta de que a Parvalorem, sociedade que ficou com activos tóxicos do banco, encontrou indícios da prática de crime na gestão da CGD no BPN, depois da nacionalização.

 

Segundo conta o jornal nesta sexta-feira, nos seis meses que se seguiram à nacionalização, já com a Caixa no leme do BPN, foram concedidos 526 milhões de euros a perto de 80 empresas (sem contar as empresas do universo da Sociedade Lusa de Negócios – SLN, a antiga detentora do banco). O problema é que a esses 526 milhões de euros de crédito correspondiam, apenas, 81 milhões de euros em garantias. Estas mesmas empresas tinham créditos de 198 milhões de euros já em 2008. Ou seja, houve um reforço de 328 milhões no crédito concedido, sem o acompanhamento proporcional das garantias.

 

Administração “muito tranquila”

 

A antiga administração do BPN não se refere ao caso específico noticiado mas salienta que “está muito tranquila em relação ao que fez”. Além disso, tem a “consciência que o que fez cumpriu as melhores práticas e, sempre que tal se justificava, com o conhecimento do seu accionista, o Estado”.

 

A insistência nesta “caminho da insidia” deve ser travada pelo Ministério Público que, na opinião dos antigos gestores do banco, entretanto comprado pelo BIC, não deve ser “usado para pretensamente incriminar na praça pública cidadãos”. Segundo o “DN”, a Parvalorem enviou para o Ministério Público “indícios de prática de crime”. Muitos dessas comunicações ao órgão judicial dizem respeito a decisões já tomadas “no período posterior à nacionalização do BPN, nomeadamente com a cristalização no tempo da resolução de créditos, e na existência de novos créditos de valor muito considerável a entidades sem quaisquer garantias”.

 

Ameaça judicial

 

Francisco Bandeira foi o nome da Caixa de Geral de Depósitos escolhido para administrar o BPN e já ao “Diário de Notícias” se tinha mostrado surpreendido pela acusação, dizendo que o conselho de crédito da instituição era composto por pessoas “com décadas de experiência bancária”.

 

No comunicado, o antigo gestor deixa claro que a “insistência na conduta não deixará de levar os visados a actuar nas instâncias próprias contra difamações e em defesa da sua honra e do seu bom nome”.

 

No início de Outubro, o “Diário Económico” já tinha adiantado que a gestão nomeada pelo Estado para o BPN tinha, em 2010, aprovado um financiamento de 135 milhões de euros à SLN Valor (do grupo da Sociedade Lusa de Negócios) em que a contrapartida oferecida eram acções de duas sociedades com uma débil situação financeira. A Parvalorem, também aqui, reconheceu que “poderiam ter sido obtidas outras garantias reais e de compromissos de execução”.

 

Estes serão mais processos em torno deste dossiê que, como escreve hoje o Negócios, já se tornou no processo casa Pia da banca.

 

Entretanto, cinco anos depois da nacionalização, o BPN já tem um novo dono: o BIC Português. A instituição liderada por Mira Amaral está a gerar “resultados muito positivos” para o seu novo detentor. 

Ver comentários
Saber mais BPN CGD Caixa Geral de Depósitos Francisco Bandeira
Mais lidas
Outras Notícias