Banca & Finanças António Costa aumenta pressão sobre governador do Banco de Portugal

António Costa aumenta pressão sobre governador do Banco de Portugal

A líder do Bloco de Esquerda exigiu esta manhã a saída do governador do Banco de Portugal, após apontar pelo menos duas falhas graves. O primeiro-ministro confirmou uma dessas falhas, no BES, mas disse que é preciso esperar pelo fim da comissão de inquérito.
António Costa aumenta pressão sobre governador do Banco de Portugal
Miguel Baltazar
Bruno Simões 15 de abril de 2016 às 10:40

O debate quinzenal desta manhã abriu a todo o gás, com a líder do Bloco de Esquerda a pressionar António Costa com perguntas sobre a banca. Catarina Martins perguntou ao primeiro-ministro quando é que Carlos Costa será substituído, depois de ter cometido pelo menos duas falhas graves, uma no BES/Novo Banco e outra no Banif.

António Costa confirmou uma das falhas, assinalando que Carlos Costa não informou sobre os critérios que levaram à escolha dos credores séniores que seriam sacrificados no Novo Banco. Mas só quer agir quando a comissão de inquérito estiver concluída.

"Se é verdade que o governador do Banco de Portugal toma decisões que o Governo desconhece, perguntamos: quantas falhas graves tem de cumprir o governador do Banco de Portugal para cumprir o critério de falha grave, que obriga à sua destituição?", perguntou Catarina Martins.

 

A porta-voz do Bloco referia-se às declarações do secretário de Estado adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, que, esta quinta-feira, assumia ao Público que Carlos Costa havia cometido uma "falha de informação grave", depois de se tornar público que algumas das medidas aplicadas pelo BCE ao Banif foram propostas pelo Banco de Portugal.

 

Catarina Martins não desarmou no tema. "Não sei quantas falhas foram cometidas para trás, mas se foi verdade que o governador, quando decidiu abrir o processo de resolução [do BES] escolheu os credores a dedo – e isto põe Portugal numa litigância que pode custar milhões, e se é verdade que o governador não informou o Governo que pediu para o BCE acelerar o processo de liquidação do Banif, quando é que a falha grave serve para substituir o governador?", questionou.

 

António Costa lembrou que sabia que a resolução teria custos. "Na noite em que foi anunciada a resolução [do Banif], comuniquei ao país que seria uma solução com custos elevados para o país e que os contribuintes teriam todo o direito de apurar a verdade", lembrou. "O PS apoiou a comissão de inquérito" e "o Governo tem toda a disponibilidade em fornecer todas as informações à comissão", e "aguarda a conclusão da comissão de inquérito".

 

Portanto, decisões, só no fim da comissão de inquérito ao Banif. "É assim que acho que devemos agir de forma a respeitar as competências da Assembleia da República e que, em função disso, se tirem as conclusões que devam ser retiradas", resumiu.

Governador não informou Governo sobre Novo Banco

 

Mas não deixou de atirar mais achas para a fogueira. Depois do secretário de Estado das Finanças ter admitido que o Banco de Portugal não informou o Governo na decisão sobre o Banif, Costa admitiu uma falha no Novo Banco. "Não fomos ouvidos sobre o critério que foi definido sobre a selecção dos credores seniores que seriam sacrificados. Isso foi assim e isso só posso confirmar", sustentou António Costa.

 

Para Catarina Martins, a conclusão é simples. "Se o governador não informou o Governo tem de ser destituído".



Notícia actualizada às 10:55 com mais informação




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