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António Simões deixa HSBC para dirigir Santander Europa

O gestor português assumirá a direção regional da Europa do Santander a partir de 1 de setembro.

Pedro Curvelo pedrocurvelo@negocios.pt 12 de Maio de 2020 às 17:27
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O português António Simões vai ser o diretor para a Europa do Banco Santander, anunciou esta terça-feira a instituição liderada por Ana Botín.

António Simões trabalhava há 13 anos no HSBC e substitui Gerry Byrne, que decidiu reformar-se no início do próximo ano, no Santander.

A nomeação, que necessita ainda de autorização dos reguladores, será efetiva a partir de 1 de setembro.

No Santander, António Simões será responsável pela gestão do negócio do banco na Europa, tendo sob a sua alçada os responsáveis locais de Espanha, Reino Unido, Portugal e Polónia. O gestor irá também integrar o comité de gestão do grupo Santander e reportar ao CEO do grupo, José Antonio Alvarez, assinala o comunicado.

António Simões foi "partner" no escritório londrino da McKinsey & Company e trabalhou no Goldman Sachs antes de ingressar, em 2007, no HSBC, onde liderou diversas áreas de negócio ao longo de 13 anos, em Londres e Hong Kong.

"Estou encantada por dar as boas vindas ao António no Santander e confio que sob a sua liderança continuaremos a construir com base no progresso que já fizemos na região - simplificando o modelo de negócio e alavancando a nossa transformação digital para melhorar os produtos e serviços que oferecemos aos nossos clientes", refere Ana Botín, presidente executiva do grupo, citada no comunicado.

António Simões, por seu turno, diz estar "entusiasmado por me juntar ao Santander". "Esta é uma altura crítica para a indústria dos serviços financeiros em que há imensos fatores sociais e comerciais que representam simultaneamente desafios consideráveis mas também oportunidades significativas, incluindo a agenda de tecnologia e inovação. Pretendo continuar a construir a plataforma "one Europe" nesta paisagem em evolução, liderando a transformação do negócio e trabalhando com algumas das pessoas mais talentosas na banca", acrescenta o gestor.

O negócio europeu do Santander conta com 9,9 milhões de clientes e 14,2 milhões de clientes digitais, empregando cerca de 70 mil colaboradores e com uma rede de 4.900 agências.

Em fevereiro, foi anunciada a saída de António Simões, que liderava o segmento de banca privada mundial do HSBC, no âmbito da reestruturação.

No passado recente, o banqueiro português foi dado mais do que uma vez como candidato à liderança do HSBC, a par de António Horta Osório (Lloyds), e tinha sido elogiado pelo banco quando foi promovido em 2018. O cargo de CEO acabou por ir para Barry O'Byrne de forma interina desde agosto do ano passado. 

Segundo o Financial Times, numa notícia de 18 de fevereiro, a saída de António Simões é a "baixa" com maior importância na estrutura do banco que resultou da reestruturação, a qual prevê a saída de 35 mil trabalhadores para reduzir custos. Não são conhecidas as circunstâncias da sua saída nem as razões. 

O objetivo do banco britânico é reduzir os postos de trabalho para os 200 mil a nível mundial até 2023. A banca de investimento na Europa e nos EUA deverá ser a mais afetada ao passo que a banca de retalho deverá crescer, assim como as operações na Ásia, região onde o banco colhe os maiores lucros.

António Simões - que foi um dos portugueses que esteve presente na edição deste ano de Davos - estava no banco com sede em Londres desde setembro de 2007, tendo mudado de funções e subido na organização ao longo dos anos. 

Em 2018, quando foi promovido, o então CEO do HSBC, John Flint, elogiou o português: "Temos, no António, alguém que, de modo consistente, tem demonstrado um pensamento estratégico e a capacidade para fortalecer a relação com os clientes".

Em 2015, chegou à presidência executiva do HSBC na Europa e do negócio do Reino Unido, tendo sido promovido em 2018 a líder mundial da banca privada - serviços de banca especializada a clientes com maiores rendimentos - do HSBC. Esta é a unidade mais pequena do universo do banco.

Foi o melhor aluno do seu curso da Universidade Nova, fez um MBA na Columbia University, trabalhou na McKinsey e na Goldman Sachs em Londres, tal como descrevia o Weekend, o suplemento de fim de semana do Negócios, numa entrevista publicada em 2015.

"Precisamos de líderes autênticos que liderem de forma autêntica, com pessoas que os queiram seguir. Isso é uma grande parte da minha marca de autenticidade. Toda a gente já se sentiu em algum momento um outsider. Não é uma questão de maiorias ou de minorias", disse na entrevista o banqueiro português que assumiu publicamente a sua homossexualidade.

(notícia atualizada)

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