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Apoio à auto-avaliação do Banco de Portugal no BES custou 910 mil euros

O contrato que uniu a Boston Consulting e o regulador da banca, para a prestação de apoio técnico na auto-avaliação na queda do BES, tinha um montante máximo de 910 mil euros. O valor acabou por ser executado na totalidade.

Bruno
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 29 de Setembro de 2016 às 16:32
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A contratação da Boston Consulting pelo Banco de Portugal, para prestar apoio técnico na auto-avaliação feita à actuação na queda do Banco Espírito Santo, apresentou um custo final de 910 mil euros. Entre as conclusões, nunca tornadas públicas mesmo apesar da insistência do Parlamento, estão críticas à supervisão desde a presidência de Vítor Constâncio.

 

O valor não é novo: 910 mil euros era o montante máximo previsto no contrato, assinado a 18 de Fevereiro de 2015, entre a consultora e o regulador liderado por Carlos Costa (na foto). Só que, agora, já há dados da execução do contrato de quatro meses, que são só possíveis de calcular no final do mesmo. E, no portal Base, conclui-se que os 910 mil euros comprometidos foram efectivamente pagos à Boston Consulting, a que acresceu ainda o IVA. A contratação de serviços de consultoria deveu-se à "ausência de recursos próprios" e foi feita sem concurso, através de ajuste directo.

 

O grupo de trabalho montado pelo Banco de Portugal, que contou com o apoio da consultora e cuja denominação oficial era "comissão de avaliação às decisões e à actuação do Banco de Portugal na supervisão do BES", tinha como missão avaliar a actuação do regulador "nos três anos que antecederam a aplicação da medida de resolução ao BES para apurar eventuais deficiências". Conforme o Negócios noticiou em Março deste ano, o grupo foi mais longe e levantou dúvidas mesmo sobre à supervisão levada a cabo ainda sob a liderança de Vítor Constâncio, que saíra em 2010. As comissões parlamentares de inquérito ao BES e o Banif pediram acesso a este documento mas o regulador sempre rejeitou entregá-lo.

 

Este foi o contrato de maior dimensão ganho pela empresa nas 16 adjudicações feitas por entidades públicas desde 2009, de acordo com os dados que constam do portal Base. A Boston Consulting também elaborou um trabalho para a TAP, onde concluiu que a TAP deveria apostar num plano de poupanças que desse margem para a transportadora nacional competir com as companhias aérea de baixo custo, o que causou desconforto dos sindicatos.

 

Além da Boston, há outras consultoras a trabalhar para o Banco de Portugal na sequência da medida de resolução de BES mas os números ainda não são finais, ou seja, não há dados sobre a sua execução. O BPN Paribas e a TC Capital participaram no primeiro concurso, falhado, de venda do Novo Banco (que resultou da resolução do BES) com contratos de até 15 milhões e 800 mil euros, respectivamente. Contudo, não se sabe qual o valor efectivamente pago já que havia parcelas dos contratos que seriam remuneradas em caso de sucesso. Neste momento, é o Deutsche Bank que está a assessorar a alienação do Novo Banco mas nem se conhece ainda o custo máximo da contratação.

Nestes processos, as contratações do Banco de Portugal foram sempre feitas por ajuste directo. Uma excepção nesse padrão foi o concurso lançado, em Setembro, para o fornecimento de combustíveis rodoviários que, por 650 mil euros, foi entregue à Galp. 

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