Banca & Finanças Arnaut e "partner" português envolvidos no empréstimo do Goldman ao BES

Arnaut e "partner" português envolvidos no empréstimo do Goldman ao BES

O Wall Street Journal escreve que José Luís Arnaut e António Esteves estiveram ligados ao esquema de financiamento que o Goldman e o BES montaram e cuja responsabilidade saiu agora da esfera do Novo Banco para o BES.
Arnaut e "partner" português envolvidos no empréstimo do Goldman ao BES
Diogo Cavaleiro 19 de janeiro de 2015 às 16:59

José Luís Arnaut e António Esteves têm em comum serem portugueses e estarem ligados ao Goldman Sachs. O primeiro, antigo ministro, é membro do conselho consultivo internacional do banco. O segundo é um dos "partners", ou seja, um dos mais altos membros da instituição financeira e também de Wall Street. Em comum, Arnaut e Esteves têm, também, o facto de terem sido envolvidos, através de uma notícia do Wall Street Journal, no negócio através do qual o Goldman Sachs financiou o BES já perto do final deste banco português.

 

A publicação internacional escreve esta segunda-feira, 19 de Janeiro, que em causa esteve um "esforço conjunto" de vários grandes nomes do Goldman Sachs para conseguirem ganhar o negócio com o BES.

 

José Luís Arnaut, que foi ministro de Durão Barroso e Santana Lopes, esteve em contacto com Ricardo Salgado, então presidente executivo do Banco Espírito Santo. Segundo relata o jornal, ofereceu a ajuda do Goldman para encontrar o dinheiro de que o banco precisava. Não é indicado quando foi feito este contacto com Salgado. Arnaut foi contratado para o Goldman Sachs em Janeiro de 2014 para "fornecer aconselhamento estratégico à empresa no alargado campo de questões empresariais, regionais, de políticas públicas e económicas, com um foco particular em Portugal e nos países de língua portuguesa em África".

 

Em Janeiro do ano passado, data da contratação, o "partner" português do Goldman Sachs, António Esteves, dizia ao Expresso que José Luís Arnaut iria ajudá-lo "muitíssimo" a trabalhar no sentido de ajudar Portugal. "Quantos mais portugueses possamos ter a trabalhar no Goldman Sachs em cargos importantes e relevantes, mais facilmente será dirigir recursos e atenção para Portugal".

 

A 23 de Junho de 2014, já no Goldman, Arnaut deu uma entrevista à Antena 1 em que afirmou que o "BES é um banco profundamente estável". Isso é "um legado que Ricardo Salgado deixa". "Um banco robusto, com capitais, credível", considerou o advogado que lidera uma sociedade de advogados, a CMS RPA, que estava na defesa do interesse de clientes e investidores lesados pelo BES.

 

António Esteves, "partner" desde 2012, também é referido no artigo do Wall Street Journal de 2015. Com presença em Londres, António Esteves juntou uma equipa nas divisões de instrumentos financeiros e de financiamento do Goldman Sachs para criar "uma estrutura complicada" que permitisse a ligação entre os bancos Goldman e BES, conta o WSJ.

 

Além dos portugueses, também Michael Sherwood e Richard Gnodde, responsáveis do banco em Londres, sabiam do negócio através do qual o BES pretendia arranjar dinheiro para pagar à Venezuela e assim a empresa financiar a construção de uma refinaria – sabe-se que várias entidades estatais venezuelanas eram grandes credoras de sociedades do Grupo Espírito Santo.

 

Assim, em Julho de 2014, o Goldman Sachs e o BES terão acordado a criação do Oak Finance, conforme noticiou então o Wall Street Journal. O banco norte-americano emprestou 835 milhões de dólares ao BES através deste veículo – no mesmo dia, o Oak emitiu dívida no valor de 785 milhões de dólares - que o banco norte-americano emitiu, esperando vendê-la posteriormente a investidores. Esta era uma responsabilidade do Novo Banco (herdeiro dos activos e passivos saudáveis do BES) que o Banco de Portugal decidiu transferir para o "banco mau" – e que abriu uma polémica entre o regulador e a instituição norte-americana.

 

A operação foi concretizada em Julho, um mês antes de o regulador decidir a resolução do BES.

 

Nem Esteves nem Arnaut responderam ao Wall Street Journal. O banco também não comentou as perguntas do Negócios sobre este artigo.  

 




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