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Artur Santos Silva: "O que se passou entre a PT e o BES foi deplorável"

O chairman do BPI criticou a relação entre a Portugal Telecom e o BES. Artur Santos Silva e Miguel Cadilhe defendem a introdução de seis "mandamentos" no sector da banca para evitar a repetição do caso BES.

André Cabrita-Mendes andremendes@negocios.pt 16 de Setembro de 2014 às 20:48
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"Em relação à PT acho que é um caso deplorável. O que se passou entre a PT, o Banco Espírito Santo e o Grupo Espírito Santo é deplorável, é lamentável", disse Artur Santos Silva durante um painel na celebração dos 30 anos da Associação Portuguesa de Analistas Financeiros (APAF).

 

"Esta relação de cumplicidade permanente, tornada pública pela imprensa, desde 2000, não é possível", considerou o banqueiro. 


Também Carlos Rodrigues, presidente do banco BIG, debruçou-se sobre o caso BES e sobre a PT. "Houve um impacto que não é negativo, é deprimentemente negativo, e reputacional, sobre nós que conduzimos negócios em Portugal.

 

Se em Portugal é maior a "desconfiança sobre aquilo que aconteceu na instituição bancária", o BES, já no Brasil "os efeitos colaterais dessa crise verificaram-se a nível da empresa de telecomunicações [a Portugal Telecom] foram se calhar mais fortes, mais profundos. Os efeitos são maus e eu atreveria-me a dizer que nunca tivemos um período tão gravoso como este" para as empresas portuguesas, afirmou.

 

O líder do BIG considera que a actual situação no BES "não é o pior, o pior é que ainda não acabou".

 

"O pior é se isto se mantivesse por muito tempo e não encontrassemos uma resolução para um caso tão grave em termos de impacto sobre a economia nacional. Urge que seja trazido uma resolução tão rápida quanto possível, dado o impacto que tem na economia", defendeu Carlos Rodrigues.

 

 

 
Seis mandamentos para os bancos

O chairman do BPI sugeriu quatro mandamentos para os bancos seguirem, de forma a evitar o sucedido no caso BES. Miguel Cadilhe acrescentou mais dois.

 

"A primeira ilação é que não pode haver relações de crédito com accionistas de referência. Os bancos devem estar proíbidos de conceder crédito a accionistas de referência. Segunda ilação, proibir de colocar instrumentos de dívida e acções de accionistas de referência", afirmou Artur Santos Silva.

 

"Em terceiro lugar, proibir de colocar instrumentos de mercado de capital do próprio emissor, o banco. Se tem um bom produto ele será colocado por outros intermediários financeiros e não por ele próprio", defende o banqueiro que considera que estas seriam "regras interessantes" de aplicar.

 

Para o quarto mandamento, o banqueiro considera que as "operações com bancos filiais devem ser estreitamente acompanhadas" pelos supervisores.

 

"Se um banco tem bancos filiais, todo o relacionamento financeiro - a tragédia que é Angola e o financiamento a Angola do BES - esse tipo de operações tem que ser estreitamente acompanhada. Um relacionamento do banco mãe com outras filiais tem que estreitamente acompanhada pelos supervisores e tem que haver regras muito claras até onde pode ir o apoio financeiro que se concede a essas instituições", sugeriu o chairman do BPI.

 

Aos quatro mandamentos de Artur Santos Silva, o economista Miguel Cadilhe acrescentou mais dois que considera ser relevantes para os bancos cumprirem.

 

"O CFO nas empresas cotadas devia ter um limite ao número de mandatos. Numa sociedade o CFO é tão importante e tão susceptível de perder a sua independência que é melhor que ele ao fim de dois mandatos não possa continuar. O facto de se saber que tem um tempo limitado à sua frente evita muita coisa", sugeriu o antigo ministro das Finanças.

 

O sexto mandamento foi uma mudança na "forma de remunerar os ROC e os auditores externos, ou ambos" para não dependerem da sociedade que os contrata.

 

"As empresas cotadas pagavam uma contribuição à CMVM, que depois contrataria estes profissionais. Não haveria qualquer dependência remuneratória desses profissionais relativamente à empresa submetida aos exames", defende o economista.

 

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