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Banca pede mais de mil milhões de euros em novo financiamento ao BCE em Agosto

A dependência da banca nacional ao Banco Central Europeu (BCE) voltou a aumentar em Agosto. Foi o terceiro mês consecutivo, o que já não acontecia desde o início de 2012.

Bruno Simão/Negócios
Sara Antunes saraantunes@negocios.pt 10 de Setembro de 2013 às 11:09
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Os bancos têm um financiamento total de 51,57 mil milhões de euros junto do BCE, segundo os dados divulgados pelo Banco de Portugal esta terça-feira, 10 de Setembro. Este valor corresponde a um aumento mensal de 1,4 mil milhões de euros, ou 2,84%, o que representa o maior acréscimo desde Março de 2012.

 

Este é também o terceiro mês consecutivo de aumento da dependência do BCE, o que também corresponde ao maior ciclo de subidas desde o primeiro trimestre do ano passado.

 

Apesar dos aumentos recentes, o valor total do financiamento junto da entidade europeia continua 6%, ou 3,3 mil milhões de euros, abaixo do montante verificado há um ano, altura em que a dependência da banca do BCE se situou nos 54,6 mil milhões de euros.

 

O máximo alguma vez atingido ascendeu a 60,5 mil milhões de euros (Junho de 2012).

 

Após a crise financeira ter sido despoletada com a crise do subprime, nos EUA, no final de 2008, a banca europeia teve muitas dificuldades em conseguir aceder ao crédito através dos mercados financeiros, vendo-se obrigada a recorrer ao BCE para colmatar necessidades de financiamento.

 

A banca nacional foi mais afectada do que bancos de outros países, especialmente devido ao pedido de resgate financeiro, apresentado em 2011. Um factor que arredou completamente Portugal dos mercados financeiros e afectou as empresas na generalidade, com maior enfoque para a banca.

 

Desde o final do ano passado que os bancos vinham a reduzir a sua dependência do BCE, contudo, nos últimos três meses esta realidade foi invertida. A contribuir para esta tendência terá estado a crise política que assolou Portugal no início de Julho e os receios em torno da retirada de estímulos económicos por parte da Reserva Federal (Fed).

 

A crise política em Portugal estalou no início de Julho com o pedido de demissão de Paulo Portas, devido à nomeação de Maria Luís Albuquerque para ministra das Finanças, para substituir Vítor Gaspar que abandonou o Executivo um dia antes da decisão anunciada pelo actual vice-primeiro-ministro.

 

Esta instabilidade contribuiu para uma subida das taxas de juro cobradas nos mercados internacionais, e terá também contribuído para que o acesso a financiamento por parte dos bancos tenha sido dificultado.

 

Mas não foi apenas esta questão interna que fez com que as taxas de juro dos mercados internacionais tenham subido. Os receios de que a Fed retire estímulos à economia americana fizeram com que as “yields” das obrigações americanas e europeias subissem e Portugal não foi excepção. 

 

(Notícia actualizada às 11h40 com mais informação)

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