Banca & Finanças Banco de Portugal ordena suspensão da Money One e da Transfex por suspeitas de branqueamento

Banco de Portugal ordena suspensão da Money One e da Transfex por suspeitas de branqueamento

O regulador acredita que as empresas de remessas e transferências de dinheiro, com sede em Lisboa, estão a ser utilizadas por pessoas a elas ligadas para a circulação de dinheiro com origem ilícita. E determinou a sua suspensão.
Banco de Portugal ordena suspensão da Money One e da Transfex por suspeitas de branqueamento
Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro 22 de abril de 2015 às 11:30

A Money One – Sociedade de Pagamento e Câmbios e a Tranfex – Instituição de Pagamentos têm de suspender totalmente as suas operações. A ordem veio do Banco de Portugal e mantém-se até informação em contrário.

 

"O Banco de Portugal recolheu um conjunto de elementos de informação que indiciam fortemente estarem as sociedades a ser utilizadas, por pessoas directa ou indirectamente relacionadas com as estruturas accionistas e/ou de gestão daquelas entidades, para a circulação de fundos provenientes de origem ilícita, com o objectivo de, assim, se assegurar a integração dos mesmos no sistema financeiro e o seu subsequente branqueamento", indica um comunicado emitido pelo supervisor liderado por Carlos Costa.

 

É nesse sentido que é determinada a "suspensão integral das operações" destas duas empresas com sede em Lisboa, de forma a salvaguardar os "interesses dos utilizadores dos serviços de pagamento ou de outros serviços financeiros disponibilizados". A proibição diz respeito ao envio de fundos vindos e com destino para o exterior e a operações de câmbio manual mas também a "quaisquer outras", seja em território nacional seja fora do país.

 

A suspensão vai manter-se até ordem em contrário. E não há garantias de que haja um regresso à actividade, dado que a suspensão pode ser "substituída por outra medida", embora o Banco de Portugal não concretize.

 

"A recusa de acatamento das determinações específicas ora emitidas ou a criação, por qualquer forma, de obstáculos à sua execução fazem incorrer os autores de tais condutas na pena prevista para o crime de desobediência qualificada", conclui o banco.

 

Esta decisão do supervisor do mercado financeiro foi tomada "no exercício dos poderes de supervisão que lhe estão legalmente conferidos, designadamente no âmbito da prevenção do branqueamento de capitais e do financiamento do terrorismo".

 

A Money One é uma empresa centrada na remessa e em câmbios, disponibilizando serviços de envio de fundos de forma digital. Destacam-se as transferências para o Brasil. Já a Transfex passa pelo envio de fundos e compra e venda de notas em moedas estrangeiras. Estas são informações que constam nos sites oficiais das sociedades em causa.

 

Apesar das tentativas, o Negócios ainda não conseguiu entrar em contacto com nenhuma das empresas. Na Money One, a resposta foi a de que seria preciso "aguardar", sem querer acrescentar qualquer outra informação.  

 

(Notícia actualizada com mais informações às 11h40)




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