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Bancos gregos recorrem à linha de emergência do BCE

Dois bancos gregos já pediram ao banco central do país para acederem à cedência de liquidez de emergência do Banco Central Europeu. A saída de depósitos, devido aos receios com os resultados das eleições, justifica a medida.

Bloomberg
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 16 de Janeiro de 2015 às 11:05
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Dois dos maiores bancos gregos pediram ao Banco da Grécia para acederem à cedência de liquidez de emergência (ELA - Liquidity Emergency Assistance) do Banco Central Europeu, para fazerem face saída de depósitos.

 

Os pedidos em causa, já oficiais, forem efectuados pelo Alpha Bank e pelo Eurobank Ergasias, dois dos maiores bancos gregos. O jornal grego Kathimerini adianta que outras instituições devem seguir o mesmo caminho, uma vez que está a haver uma fuga de depósitos dos bancos gregos, devido aos receios de que os resultados das eleições na Grécia venham a provocar uma saída do país da Zona Euro.

 

Em declarações à Bloomberg, fontes oficiais dos dois bancos adiantaram que esta foi um pedido de precaução, sendo que nesta altura esperam que esta linha de emergência não venha a ser utilizada.

 

Já o jornal grego diz que os montante solicitados ascendem a 5 mil milhões de euro e resultam não só da fuga de depósitos, mas também do facto de os bancos terem sido forçados a comprar bilhetes do Tesouro emitidos pela Grécia, o que afectou a liquidez das instituições.

 

As acções do Eurobank desceram um máximo de 10% para 16,3 euros, enquanto o Alpha Bank desvaloriza 7,7%. 

 

A ELA é uma linha de emergência do (Eurosistema) que está à disposição dos bancos da Zona Euro quando enfrentam situações de escassez de liquidez e não dispõem de colaterais para aceder ao financiamento regular junto do banco central.

 

Os empréstimos concedidos ao abrigo da "Emergency Lending Assistance" são da responsabilidade dos bancos centrais nacionais (as perdas ficam nos seus balanços e, logo, no dos contribuintes), mas precisam da autorização do BCE e contam para o cálculo da liquidez injectada no sistema (um dos elementos relevantes para avaliar pressões inflacionistas). No caso de os montantes solicitados à ELA serem acima de dois mil milhões de euros o BCE passa a analisar a situação com muita proximidade.

 

Foi o que aconteceu ao Banco Espírito Santo (BES) dias antes do processo de resolução. O BCE impediu o banco de acender a esta linha devido aos reduzidos rácios de capital, o que acabou por precipitar o colapso da instituição e a intervenção do Banco de Portugal.

 

O Kathimerini dá conta que o custo de aceder a esta linha (taxa de 1,55%) é bem mais caro do que o financiamento regular (0,05%) e que o BCE irá discutir estes pedidos na reunião que tem agendada para quinta-feira.

 

A saída de depósitos dos bancos gregos está relacionada com os receios que o país venha a sair do euro em função dos resultados das eleições. O Syriza, partido que vai à frente nas sondagens, já repetiu por diversas vezes que quer manter a Grécia no euro, mas o facto de defender uma reestruturação da dívida grega está a gerar receios junto dos investidores.

 

Em Dezembro os depósitos nos bancos gregos desceram 3 mil milhões de euros, quando o saldo no último mês do ano é habitualmente positivo. Os bancos confirmam que nas primeiras semanas de Janeiro a saída de dinheiro prosseguiu, embora a níveis controláveis. Apesar disso o pedido para aceder à ELA permite acautelar uma saída mais intensa de dinheiro e assim impedir o colapso dos bancos devido a problemas de liquidez.

 

Os banco gregos já tinham recorrido à ELA em 2011, quando as agências de rating cortaram a notação da Grécia e dos bancos gregos, o que motivou uma fuga de depósitos. O mesmo aconteceu nas últimas eleições, em Junho de 2012, altura em que também aconteceu uma saída intensa de depósitos dos bancos. Em 2014, segundo o jornal grego, os bancos conseguiram eliminar o financiamento através da ELA.  

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