Banca & Finanças Banif: Naviget criada para gerir activos recusados pelo Santander

Banif: Naviget criada para gerir activos recusados pelo Santander

Na sequência da resolução do Banif, foi criada a sociedade Naviget, que irá absorver imobiliário, acções e unidades de participação de fundos de investimento que estavam na órbita do Banif. E que o Santander Totta recusou.
Banif: Naviget criada para gerir activos recusados pelo Santander
Rui Silva
Negócios 21 de dezembro de 2015 às 20:10
Na acta divulgada pelo Banco de Portugal esta segunda-feira, é revelado o nome da sociedade de gestão de activos que vai ficar com os activos do Banif recusados pelo Santander - Naviget -, os seus estatutos e tudo aquilo que ficará sob a sua alçada, incluindo os trabalhadores do banco associados à gestão de activos. 

Na selecção do que passa a integrar a Naviget, o Banco de Portugal diz que "teve em conta a indisponibilidade do Banco Santander Totta para os adquirir, suportando integralmente o respectivo risco, e teve por objectivo maximizar as receitas de uma sua futura alienação, que não seria assegurada de forma tão eficiente caso os mesmos permanecessem no Banif". 

E o que passa então para a Naviget? Segundo o mesmo documento, "todos os activos imobiliários que sejam propriedade do Banif, com excepção daqueles que estejam a ser utilizados ou ocupados pelo Banif". 

Depois, as acções e unidades de participação de um conjunto extenso de sociedades, nomeadamente Banif Imobiliária, Açoreana Seguros e Banif Bank (Malta), ou Iberol. Ou de fundos de investimento como o Fundo de Recuperação FCR, Fundo de Recuperação Turismo FCR ou o Discovery Portugal Real Estate Fund, para além de vários fundos de investimento imobiliário (com excepção do Banif Property). 

Para além destes activos, são transferidos para a Naviget "a posição contratual do Banif nos contratos de trabalho de todos os trabalhadores que desenvolvem a sua actividade nos Serviços Centrais [excluindo os da rede de retalho e empresarial]", nomeadamente diversos departamentos do banco como a direcção de assessoria jurídica, contabilidade e controlo, marketing e comunicação, auditoria interna, recuperação de crédito, recursos humanos, entre outras. 

Esta manhã, o ministro das Finanças Mário Centeno anunciou a aprovação, em Conselho de Ministros, de uma proposta de Orçamento Rectificativo que prevê um agravamento da despesa pública em 2,2 mil milhões de euros para pagar o custo do modelo de resolução do Banif.

Prevê-se que a marca do banco madeirense fundado por Horácio Roque desapareça e que a actividade "saudável" do banco seja integrada no Santander Totta, que se diz disposto a comprá-la por 150 milhões de euros. 

A conclusão desta operação, que garantirá a manutenção de postos de trabalho, pressupõe que os contribuintes financiem uma recapitalização prévia do Banif de 2,2 mil milhões de euros, que se fará mediante uma injecção directa do Tesouro de 1,8 mil milhões e de um empréstimo de 489 milhões ao Fundo de Resolução, fundo detido pelos bancos a operar em Portugal – e que dizem não terem sido consultados pelo Governo nem pelo Banco de Portugal.




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