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Banif reduz prejuízos em 2013 para 470 milhões

O banco liderado por Jorge Tomé registou uma perda de 470,3 milhões de euros no exercício fiscal do ano passado. Em 2012, os prejuízos tinham ascendido a 584,2 milhões.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 03 de Fevereiro de 2014 às 23:59
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O Banco Internacional do Funchal sublinha, em comunicado à CMVM, que o resultado líquido de 2013 foi “fortemente penalizado” por vários factores: “reforço de provisões e imparidades (366,1 milhões de euros); resultado das unidades operacionais descontinuadas, nomeadamente a unidade do Brasil com um contributo negativo de 95,8 milhões de euros; custo com juros de CoCos (30,6 milhões de euros); e custos relacionados com o processo de recapitalização (13,2 milhões de euros).

 

Relativamente à margem financeira, em 2013 situou-se em 124,7 milhões de euros, o que corresponde a um aumento de 18,7% face a 2012. “Excluindo o efeito dos custos relacionados com o pagamento de juros de CoCos [instrumentos de dívida convertíveis em acções], que em 2013 ascendeu a 30,6 milhões de euros, a margem financeira teria registado uma subida de 47,8%”, salienta o banco, que justifica esta tendência positiva com a “política focada na redução de custos de financiamento”. No quarto trimestre, a margem financeira subiu 9,2% face ao trimestre anterior (excluindo o efeito das unidades descontinuadas).

 

Já o produto bancário registou no ano passado uma subida acumulada de 40,5%, em termos homólogos, para 194,1 milhões de euros, refere o banco. Isto devido à recuperação da margem financeira e à melhoria do resultado em operações financeiras, acrescenta o comunicado do Banif.

 

O banco recorda que está em curso a alienação das participações de controlo no Banif - Banco Internacional do Funchal (Brasil), SA, Banif Bank (Malta), PLC e Banco Caboverdiano de Negócios (BCN), “perspectivando-se que sejam executadas durante o ano de 2014”. 

 
Core Tier I inalterado

O rácio Core Tier I do Banif, avaliado de acordo com as regras do Banco de Portugal, situava-se em 11,16% a 31 de Dezembro de 201, inalterado face a 31 de Dezembro de 2012 (considerando o efeito da recapitalização aprovada pelo Estado a 31 de Dezembro de 2012 e concretizada a 25 de Janeiro de 2013).

 

Em 2013, além de ajustamentos ao balanço, foram amortizados CoCos no valor de 150 milhões de euros, o que explica a manutenção do rácio no patamar acima dos 11%, refere o banco.

“Neste contexto, estas unidades de negócio passaram a ser enquadradas como unidades operacionais descontinuadas, continuando a ser consolidadas pelo método integral nas demonstrações financeiras com referência a 31 de Dezembro de 2013, sendo o impacto em resultados apresentado numa linha separada denominada “Resultado de operações descontinuadas”, sendo reexpressa a informação comparativa de 2012.

 

Nessa rubrica "Resultado de operações descontinuadas", o Banif reporta um prejuízo de 96,9 milhões de euros no acumulado de 2013, contra uma perda de 81,7% no ano precedente, o que representa um agravamento de 18,5%.

 

As provisões e imparidades líquidas, por seu lado, ascenderam a 366,1 milhões de euros, contra 433,1 milhões em 2012.

 

A exposição líquida do Grupo ao BCE aumentou 273,5 milhões de euros, comparativamente a Dezembro de 2012, totalizando 3.077,6 milhões de euros no final de Dezembro de 2013. Este valor representa, no entanto, uma significativa descida de 703,4 milhões de euros face à exposição verificada no final do terceiro trimestre de 2013, sublinha o comunicado. O montante de activos elegíveis e disponíveis para desconto junto do BCE foi reforçado ao longo do ano, subindo para 501 milhões de euros no final de 2013.

 

A diminuição da exposição ao BCE observada no quarto trimestre de 2013 “reflecte uma inversão da tendência registada nos primeiros 9 meses do ano, período em que, como contrapartida da operação de recapitalização, foi amortizada uma emissão de obrigações garantida pelo Estado (300 milhões de euros) e foram reduzidos depósitos de entidades estatais (115 milhões de euros)”.

 

No último trimestre de 2013, “o aumento de recursos de clientes e a utilização de outras fontes de financiamento tornaram possível a considerável redução de exposição ao BCE. De salientar que em Dezembro, o Banif procedeu a uma colocação de cerca de 180 milhões de euros de títulos referentes a uma operação de securitização denominada Atlantes Finance No 6, assente em carteiras de crédito ao consumo e automóvel originadas pelo Banif e Banif Mais”, diz ainda o documento.

 

Recorde-se que em Janeiro do ano passado o Estado injectou 1.100 milhões de euros no Banif, ficando como accionista maioritário, sendo que 700 milhões foram em acções e 400 milhões em instrumentos de dívida convertíveis em acções, as chamadas 'CoCo bonds', pelas quais o banco paga um juro anual que começa a 9,5%.

 

O Banif assumiu o compromisso de aumentar o capital em 450 milhões com recursos privados no âmbito do acordo celebrado com o Estado e encontra-se actualmente em "negociações finais" com investidores para a última fase do plano de capitalização.

 

(notícia actualizada às 24h45)

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