Banca & Finanças Banif: Bruxelas começa sempre a responder com nãos

Banif: Bruxelas começa sempre a responder com nãos

A Comissão Europeia tem sempre a mesma reacção inicial em relação aos bancos capitalizados pelo Estado: não aceitar o que é proposto pelo Estado. 
Banif: Bruxelas começa sempre a responder com nãos
Carolina Cravinho
Diogo Cavaleiro 05 de maio de 2016 às 20:53

A relação entre Bruxelas e Lisboa é um dos pontos que mais tem surgido na comissão de inquérito. A chefe de gabinete da antiga ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque teve um papel de enfoque, já que era uma das interlocutoras privilegiadas do Terreiro do Paço sobre as recapitalizações nos bancos portugueses.

 

Segundo Cristina Sofia Dias, o início de uma relação com a Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia – e ocorreu com o Banif – é sempre o mesmo: "As reacções [iniciais] eram sempre não". Recusava aquilo que era proposto.

 

O trabalho que se seguiu por parte do Governo, que é quem assegura as relações com Bruxelas, foi o de conseguir "um não menos não", disse a ex-chefe de gabinete de Maria Luís Albuquerque. "Tentámos sempre trazer informação nova e adicional", continuou.

 

Não foi suficiente. "Daí a necessidade de continuarmos a insistir, de trazer informação e de tentar demover essa posição". O que foi insuficiente. "Nunca conseguimos que dissessem sim", concluiu Cristina Sofia Dias, na audição desta quinta-feira, 5 de Maio, referindo-se ao Banif.

 

Ao longo da sua audição, Cristina Sofia Dias recusou a ideia de intransigência de Bruxelas, referindo-se apenas à "primeira reacção" negativada Comissão Europeia.

 

Bruxelas não foi convencida e abriu, em 2015, uma investigação aprofundada ao auxílio estatal dado em Janeiro de 2013, de 1,1 mil milhões de euros, cujo desfecho acabou por acelerar a resolução aplicada ao banco a 20 de Dezembro de 2015. O Banif foi o único banco português capitalizado em 2012/2013 que não teve um plano de reestruturação aprovado por Bruxelas. 




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