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Banif fecha a ganhar 16% com mercado a acreditar na capitalização

Acções do banco do Funchal dispararam no dia em que foi aprovada a injecção de 1,1 mil milhões de euros estatais. No que diz respeito ao aumento de capital privado, o presidente Jorge Tomé expressou optimismo em relação à colocação.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 16 de Janeiro de 2013 às 17:05
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Apesar de um início de sessão negativo, e de ter chegado mesmo a perder 5%, as acções Banif encerraram o dia a valer mais 16% do que ontem.

 

Os títulos do Banif fecharam nos 14,4 cêntimos, depois de ontem terem terminado nos 12,4 cêntimos. A valorização aconteceu no dia em que os accionistas aprovaram, em assembleia-geral, o plano de capitalização que vai dar entrada ao Estado na entidade. O desempenho do banco liderado por Jorge Tomé opôs-se às descidas superiores a 4% do BES e BPI e de 1% do BCP. O PSI-20 deslizou 0,31%.

 

Foram negociadas mais de 17 milhões de acções do Banif, o que quase triplica os 6 milhões de títulos que foram ontem negociados. Nas últimas 16 sessões, tinham trocado de mãos, em média, menos de 3 milhões de acções do banco por dia.

 

A subida expressiva do banco - que dá ao Banif um valor de mercado de 82,1 milhões de euros e reduz a desvalorização desde o início do ano para 1,3% - acontece no dia de assembleia-geral de accionistas. Nesse encontro, foi dado o aval à capitalização do Banif, a concretizar através de 1,1 mil milhões de euros de dinheiros públicos e de 450 milhões de euros de injecção de privados. O avanço das acções não foi, contudo, imediato.

 

O plano teve "luz verde" de manhã - 11h49 foi emitido o comunicado em português à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) sobre a aprovação do mesmo; 13h11 foi emitido o mesmo comunicado em inglês - e a valorização aconteceu a partir das 14h.

 

Depois da divulgação dos comunicados, Jorge Tomé expressou o seu optimismo, em conferência de imprensa citada pela agência Lusa, no cumprimento integral do plano aprovado pelos accionistas.

 

“O comportamento das acções terá na sua origem a aprovação, em assembleia-geral, do aumento do capital institucional, acção que foi bem recebida pelo mercado”, declarou, por e-mail, a sala de mercados do Montepio.

 

“O mercado está a acreditar num desfecho simpático para o plano de capitalização do banco”, comentou em declarações ao Negócios o director da negociação do Banco Carregosa. João Queiroz salienta, contudo, que há um conjunto de dúvidas em relação ao futuro do banco.

 

Metade do aumento de capital praticamente assegurado

 

É que, dos 1,1 mil milhões de euros estatais, 700 milhões de euros serão usados para subscrever acções – cada uma delas a um cêntimo. Os restantes 400 milhões de euros serão investidos em instrumentos de capital contingente, os denominados “CoCos”, convertíveis em acções caso não sejam cumpridas determinadas condições pelo banco.

 

Com esta injecção de 700 milhões de euros em acções (feita a partir de 70 mil milhões de novos títulos - em que apenas 44,5 mil milhões terão direito de voto), o Estado ficará na posse de uma participação de 99,2% do Banif (63% dos direitos de voto). Isto porque os 70 mil milhões de novas acções vão juntar-se às 570 milhões que já existem e que estão na mão dos privados, o que faz com que a proporção que estes detêm fique tão reduzida.

 

Só que o banco tem de garantir dadas condições para que os títulos convertíveis não se transformem, depois, em acções - o que, a acontecer, daria mais poder ao Estado dentro do banco. Incertezas em que o mercado não parece acreditar, segundo João Queiroz, da Carregosa.

 

Para que a posição de controlo do Estado seja invertida, a assembleia-geral de accionistas também deu autorização para o que o conselho de administração aprove o aumento de capital a privados no valor de 450 milhões de euros. Este terá de ocorrer no primeiro semestre do ano (até Junho). Será com esta operação que o Estado deixará de controlar o banco cujo presidente do conselho de administração é Luís Amado. Os accionistas privados terão aí, se tudo for colocado, 50,59% dos direitos de voto do banco, ficando o Estado com o restante.

 

Jorge Tomé assegurou, segundo a Lusa, que está "praticamente levantado metade desses 450 milhões de euros", acrecentando que, mesmo assim, tem ainda seis meses "para estruturar a operação".

 

Até aqui, há a garantia de colocação de um terço do aumento de capital a privados, com os dois maiores accionistas do Banif – a “holding” que o controla (Rentipar Financeira) e a Auto-Industrial – a assegurarem 100 milhões de euros. O BES colocará outros 50 milhões de euros.

 

Para o director de negociação do Carregosa, há aqui um conjunto de dúvidas, nomeadamente, o preço de subscrição das acções. Se for a um cêntimo, conforme o é para o dinheiro injectado pelo Estado, justificar-se-á a subida de hoje?, questiona-se.

 

Balanço mais seguro

 

Conforme noticia hoje o Negócios, neste plano de capitalização do Banif estão incluídas as necessidades de capital que resultarão dos prejuízos de 490 milhões de euros que terão sido registados pelo banco no ano passado. A queda da margem financeira e as perdas resultantes da contabilização de imparidades para o crédito malparado e para a reavaliação em baixa de activos são os motivos para que se tenha registado este resultado líquido negativo.

 

"O plano do banco está feito com muitas almofadas, com margens de segurança consideráveis [e] foi elaborado com base num cenário macroeconómico adverso", disse Jorge Tomé hoje na conferência de imprensa, segundo a Lusa.

 

Para João Queiroz, do Carregosa, o prémio dado hoje às acções do Banif pode dever-se à expectativa dos investidores de que a participação do Estado garantirá um balanço mais sólido para o banco do Funchal.

 

 

 

 

(Notícia actualizada com mais informação às 17h40; Notícia actualizada às 19h50 com informação sobre percentagem que Estado vai controlar)

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