Banca & Finanças Banif: "Os depositantes e contribuintes podem estar descansados"

Banif: "Os depositantes e contribuintes podem estar descansados"

Em entrevista à RTP Madeira, Jorge Tomé, presidente do Banif, quis deixar uma mensagem de tranquilidade aos depositantes. Mas diz que a notícia da TVI "veio abalar a confiança e credibilidade" do banco. Assegurou que tem seis interessados na posição do Estado e que o banco tem liquidez.
Banif: "Os depositantes e contribuintes podem estar descansados"
Miguel Baltazar/Negócios
Negócios 15 de dezembro de 2015 às 09:24
O Banif tem estado no centro das atenções. Jorge Tomé, presidente do banco, em entrevista à RTP Madeira, garantiu que o processo de reestruturação da instituição está em curso e o processo de venda da posição do Estado também. Quis deixar uma mensagem de tranquilidade, ainda que admita que a notícia da TVI, de que estaria em curso uma medida de resolução do Banif, abalou a confiança e a credibilidade do banco. Jorge Tomé disse mesmo que "é preciso não esquecer que o Banif é participado em 60,5% pelo Estado português", pelo que, na prática, "é um banco do Estado português".

Na entrevista, Jorge Tomé garantiu que "o
s depositantes e os contribuintes podem estar descansados", já que "tem uma posição de liquidez confortável", mas "obviamente esta notícia da TVI veio abalar a confiança e credibilidade do banco". A gestão da situação, acrescentou, está a ser feita "em articulação com o Governo", de quem diz estar a receber todo o apoio, tal como dos governos regionais. Dizendo apenas que os montantes levantados dos balcões na segunda-feira foi um montante de "vulto", sem quantificar, Jorge Tomé salientou que, no entanto, quer passar a mensagem de que o "banco está francamente bem, sólido" e diz acreditar que "todo este movimento vai ser temporário", quando se perceber "que tudo isto foi objecto de uma notícia sem fundamento". Jorge Tomé reforçou que a notícia "não é fundada, é tendenciosa e veio perturbar um processo de venda estruturado que está em curso".

O presidente do Banif garante que a situação "está a ser controlar e gerida". A mensagem, por isso, acrescenta é de "tranquilidade e serenidade para todos os clientes do banco". Jorge Tomé acredita que no fim do processo, o Banif sairá "com um novo accionista que vai dar um rumo completamente diferente ao Banif, um rumo de desenvolvimento e maior rentabilidade". Para Jorge Tomé o Banif "é um banco completamente reestruturado, já está a ganhar dinheiro". O processo de reestruturação iniciado há três anos está, segundo o presidente do banco, a dar resultados. Em paralelo está à venda a posição do Estado, que, salientou Jorge Tomé, é uma posição de controlo. O objectivo é conseguir um accionista de referência e capitalize o Banif. Além disso, há um programa de venda de activos, nomeadamente imobiliário, para reforçar os rácios de capital. Aliás neste âmbito explicou que está a ser criado um fundo de investimento para integrar imóveis para "optimizar" a sua alienação, numa primeira fase será participado pelo Banif, mas depois será gerido por uma entidade mais especializada. "Não são activos maus ou de risco", assegurou, excluindo a palavra tóxicos da caracterização destes imóveis. "São activos bons". E haverá novidades na venda de activos até ao final do ano.

"Os activos são bons activos e estão no curso de venda, e estamos convencidos que vamos vendê-los bastante bem". "Vamos ter boas notícias", concretizou. 


O Banif prossegue, ainda, o programa negocial para rescisões amigáveis, no âmbito do qual pretende reduzir 100-150 pessoas. E garantiu que no encerramento de balcões o trabalho está praticamente concluído.

Seis interessados na posição do Estado

Quanto à venda da posição de 60% do Estado, Jorge Tomé diz querer receber propostas esta semana. Havendo seis candidatos. Vai receber as propostas e depois avaliará em conjunto com o Estado português essas mesmas propostas. Pretende que até ao final do ano possa haver definição em relação ao possível comprador. Jorge Tomé diz mesmo que esta crise de credibilidade e de perda de valor das acções pode afectar este processo de venda, mas no final do dia "quem vai ser prejudicado por isso vai ser o Estado". Ainda assim, a cotação não é um referencial para a venda de 60% do Estado. O valor intrínseco da instituição, diz, é maior. "O valor intrínseco do banco, estamos a vender 60% a posição de controlo, obedece critérios de valorização económica diferente".

Jorge Tomé diz, ainda, que "a negociação está a decorrer muito bem", estando "neste momento a interagir com investidores". São seis investidores internacionais que estão analisar o Banif, concretizou, esperando "durante esta semana as propostas destes investidores".O objectivo é ter um accionista de referência que substitua o Estado.




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