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Barclays rescinde com até 400 trabalhadores e fecha 70 agências

O banco definiu uma nova estratégia no retalho em Portugal. Vai alargar os critérios para enquadrar mais clientes no segmento "premier", o mais abastado. Mas, para isso, fecha ou funde agências. E pretende rescindir com um quarto dos funcionários.

Reuters
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 30 de Setembro de 2014 às 16:11
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O Barclays vai reduzir mais de um quarto dos seus trabalhadores da área de retalho, ou seja, de quem se encontra aos seus balcões e nos serviços centrais. O processo irá afectar toda a unidade nacional. Esta é a terceira reestruturação em três anos mas a primeira desde que o grupo britânico anunciou que a unidade portuguesa estava disponível para venda por ser "não core" – não central para a actividade do grupo.

 

O objectivo, já acordado com Londres, "é rescindir com cerca de 350 a 400 trabalhadores", disse Claudio Corradini, o italiano que assegura a gestão portuguesa do segmento de retalho, num encontro com jornalistas esta terça-feira, 30 de Setembro. Neste momento, a instituição conta com 1.464 funcionários nas várias agências.

 

Os números ainda serão discutidos com sindicatos e comissões de trabalhadores. Contudo, o que se pretende é que estes números "sejam cumpridos até ao final do primeiro trimestre de 2015". Não são revelados custos com o programa de rescisões nem quais as condições que serão propostas. Corradini diz apenas que o "principal objectivo" é que as rescisões sejam numa base voluntária (ou seja, o trabalhador mostrar-se disponível para rescindir).

 

A diminuição do quadro de trabalhadores – são até 400 trabalhadores que agora se juntam aos cerca de 500 que terão abandonado o retalho do banco entre 2011 e 2014 – deve-se à redução do número de balcões que também irá acontecer nos próximos meses.

 

Fusões e encerramentos de agências

 

No final de Setembro, o Barclays em Portugal contava com 147 agências abertas ao público. A ambição, depois do processo de reestruturação terminado, é contar com entre 80 a 90 agências. Ou seja, serão fechados ou alvo de fusão entre cerca de 67 a 77 balcões.

 

Esse redesenho dos balcões – a gestão não quis indicar que regiões sentirão um maior encerramento ou fusões – tentará responder a um novo posicionamento da instituição financeira. O grupo quer conquistar mais clientes mas apostando num único segmento: o "premier". Até aqui, a posição era considerar os clientes com activos financeiros acima de 100 mil euros para integrar este ramo. Contudo, para aumentar o número de clientes, o critério será alargado: considerar-se-á quem tem activos financeiros acima de 50 mil euros. A localização dos balcões terá essa posição no segmento afluente em foco.

 

Regresso aos lucros em 2016

 

É neste sentido, de que há uma aposta na unidade nacional, que leva Corradini a dizer: "O Barclays decidiu continuar a investir em Portugal". Ou seja, há aqui uma procura de maiores receitas que, aliada aos menores custos, possa resultar no regresso aos lucros em 2016. Não há dados financeiros actuais para a unidade portuguesa mas sabe-se que o negócio é deficitário.

 

Este é um plano de reestruturação apresentado pela gestão de Corradini a Londres, num momento em que a unidade continua a ser considerada não central para o grupo britânico. As operações de retalho na Europa, em que se incluía Itália, França, Espanha e Portugal, foram colocadas como disponíveis "para a venda" "a seu tempo" em Maio passado. Em Espanha, o negócio foi vendido ao Caixa Bank. Em Portugal, apesar do novo plano agora definido, a alienação não está fora de hipótese.

 

O Barclays em Portugal tem vários negócios, entre os quais o retalho, Barclaycard ou unidade de investimento. Esta reestruturação diz respeito apenas à área de retalho.

 

 

 
Barclays Portugal perderá mais de 1.000 funcionários em 3 anos
O Barclays em Portugal tem vários negócios. Em 2011, todas as unidades nacionais - retalho, investimento, card - contavam com 2.390 trabalhadores. Contudo, nos anos seguintes, os tempos foram de reestruturação, que impliciaram rescisões, para além das saídas habituais. Em 2013, restavam 1.600 colaboradores; 1.464 trabalham na área de retalho - e é esta que irá sofrer um corte de até 400 trabalhadores. Ou seja, os balcões deverão passar a contar com apenas 1.000 funcionários, o que reduzirá o quadro de todo o universo Barclays em Portugal para 1.200.
 
No que diz respeito às agências, o Barclays pretende chegar ao fim do primeiro trimestre de 2015 com cerca de 80 a 90 balcões. Menos de uma centena quando, em 2011, se aproximava das três centenas: 279.
 

 

 

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