Banca & Finanças Bateria de lucros não ajudou nas perspetivas sombrias para a banca europeia

Bateria de lucros não ajudou nas perspetivas sombrias para a banca europeia

Os ventos contrários para as receitas acentuaram-se desde que o BCE assumiu uma postura mais ‘dovish’ sobre o ‘outlook’ para a política monetária.
Bateria de lucros não ajudou nas perspetivas sombrias para a banca europeia
Reuters
Bloomberg 13 de agosto de 2019 às 15:32

Mais uma vez, os bancos europeus esforçaram-se muito na última época de resultados, mas acabaram por falhar na melhoria do sentimento. As expectativas estavam baixas e, por isso, algumas instituições conseguiram apresentar números acima, ainda assim muitos bancos alertaram para perspetivas desafiantes com as "yields" na Europa a tocarem em mínimos históricos.

 

O Citigroup realça que sete dos nove mercados que seguem foram capazes de superar as estimativas, com as surpresas mais positivas a virem de Espanha e Suíça. Mas os resultados não foram suficientes para criar um impacto duradouro, com os analistas a realçarem a baixa qualidade dos números na banca de investimento, que podem não ser sustentáveis, ou provisões baixas e outros efeitos extraordinários.

 

Analistas do Deutsche Bank dizem que o crescimento dos lucros antes de impostos do trimestre continua a ser negativo, pela segunda vez, representando um "ponto de inflexão significativo", com a indústria a parecer ter atingido o pico de rentabilidade em 2018.

 

Os ventos contrários para as receitas acentuaram-se desde que o BCE assumiu uma postura mais ‘dovish’ sobre o ‘outlook’ para a política monetária, ao mesmo tempo que deixou o mercado à espera de uma decisão sobre o escalonamento dos juros nos depósitos (o chamado ‘tiering’), que poderá mitigar os efeitos das baixas taxas de juro nos bancos.

 

O "outlook" para os lucros e margens deteriorou-se e os analistas do Deutsche Bank esperam que a pressão da taxa se intensifique uma vez que as curvas das "yields" diminuíram significativamente.

 

Os mercados instáveis também pintam um cenário improvável para os investidores fazerem muita negociação ou procurarem ativos arriscados. Consequência: as comissões caíram 6% face ao trimestre anterior.

 

E as adversidades não vão parar com taxas ou comissões uma vez que os bancos enfrentam previsões de provisões mais elevadas. Depois de terem diminuído durante oito trimestres consecutivos, as provisões aumentaram neste último trimestre.

 

Por isso, é pouco surpreendente que o consenso sobre os lucros tenha diminuído 7 pontos percentuais para 2019 e 10 pontos para 2020, segundo os cálculos do Citigroup. Consequentemente a banca é o setor com pior desempenho este ano.

 

(Texto original: An Earnings Beat Doesn’t Help Banks’ Bleak Outlook)

 




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