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BCE dá luz verde a financiamento de 60 mil milhões de euros para os bancos gregos

O Banco Central Europeu (BCE) aprovou uma linha de liquidez de emergência no valor de 60 mil milhões de euros para a banca grega. A decisão acontece um dia depois da autoridade monetária ter impedido os bancos do euro de utilizarem dívida grega como colateral para obterem financiamento junto do BCE.

4 de Fevereiro – Varoufakis após encontros com Jean-Claude Juncker (Comissão Europeia), Martin Schulz (Parlamento Europeu) e Donald Tusk (União Europeia) e já depois de um primeiro encontro com o presidente do Eurogrupo que não correu nada bem

“Ainda não chegámos a acordo. Mas estamos no bom caminho para chegar a um acordo viável”.
Reuters
André Cabrita-Mendes andremendes@negocios.pt 05 de Fevereiro de 2015 às 14:58
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A notícia foi avançada pela publicação alemã Die Welt e está a ser confirmada pela agência France Presse esta quinta-feira, 5 de Fevereiro.

 

Na quarta-feira o BCE anunciou que deixou de aceitar dívida pública grega como garantia para conceder empréstimos aos bancos da Zona Euro. Mas apesar desta limitação, os bancos gregos continuam a ter formas alternativas de recorrer ao financiamento do banco central.

 

Uma desta formas é através da linha de liquidez de emergência (programa ELA). E deverá ser através deste programa que os 60 mil milhões de euros vão ser concedidos à banca grega.

 

O BCE empresta assim dinheiro aos bancos gregos, através do banco central daquele país. Este financiamento foi criado para bancos que "estejam a enfrentar problemas de liquidez", segundo o BCE.

 

Desta forma, nenhum banco do euro pode usar estes activos para se financiar. Contudo, as instituições gregas são as mais afectadas por serem, precisamente, as que detém maior número de dívida grega nos seus balanços: 21 mil milhões de euros segundo os dados mais recentes. Fora do país, os bancos alemães são os que detém mais dívida grega no euro: oito mil milhões no total.

  

A instabilidade política na Grécia, com a realização de eleições antecipadas em Janeiro, provocou uma fuga de capitais do país no valor de 15 mil milhões de euros. Alias, a falta de liquidez no sector, levou a que três instituições recorressem a esta linha recentemente, num montante total de dois mil milhões de euros. 

 

Para conceder este dinheiro, o BCE impõe o pagamento mais elevado de juros. A taxa de financiamento do banco central está actualmente nos 0,05%, mas com este programa os bancos gregos pagam uma taxa de juro de 1,55%.

 

E o BCE dá, mas também pode tirar. Apesar de ser o banco central grego a conceder estes empréstimos, o Conselho Executivo do BCE tem o poder de retirar este financiamento, sendo necessários dois terços dos votos dos seus seis membros para a aprovação.

 

O Conselho Executivo do BCE vai rever de 15 em 15 dias esta linha de financiamento. Neste âmbito, o presidente do banco central alemão, o Bundesbank, veio a público relembrar que o programa ELA "deve ser apenas atribuído no curto prazo e para bancos solventes".

 

Grécia diz que não vai ser chantageada

 

No seu anúncio de quarta-feira, o BCE justificou a decisão de deixar de aceitar a dívida grega como colateral por "não ser possível prever uma conclusão com sucesso" da próxima revisão do programa de ajustamento, que deverá ser a última conforme planeado.

 

Em resposta, o Governo grego veio a público dizer que não aceita ser "chantageado" e acusou o BCE de "pressão política" para a Grécia fechar a extensão do programa de ajustamento com os parceiros europeus, que termina no final deste mês.

 

Os bancos gregos estão actualmente fora dos mercados de financiamento e Frankfurt é a única forma que têm para obter financiamento. Se a instabilidade sobre o futuro de Atenas continuar,  a autoridade monetária pode vir a considerar que o problema dos bancos não é a sua liquidez, mas a sua solvência. A acontecer, o BCE tira o tapete debaixo dos bancos gregos: acaba o ELA.

 

Programa ELA já foi usado na Grécia e Chipre

 

Esta é uma repetição do episódio de Maio de 2012, quando a Grécia viveu um momento de grande instabilidade política. Então, o BCE também abriu esta linha de emergência para Atenas, com um total de 124 mil milhões de euros a assegurarem a liquidez da banca helénica.

 

Mais tarde foi a vez do Chipre. Em Março de 2013, o banco central daquele país abriu esta linha de liquidez de emergência aos bancos cipriotas, com o país a ser resgatado pouco depois pela troika.

 

(Notícia actualizada pela última vez às 15h45)

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