Banca & Finanças BCE: “Não queremos que a próxima crise seja provocada por um hacker”

BCE: “Não queremos que a próxima crise seja provocada por um hacker”

Benoît Cœuré, responsável do BCE, defende que o sector financeiro não está totalmente protegido contra ciberataques. É, por isso, preciso fazer mais para se evitar que a “próxima crise seja provocada por um hacker”.
BCE: “Não queremos que a próxima crise seja provocada por um hacker”
Bloomberg
Rita Atalaia 01 de outubro de 2018 às 15:46

O Banco Central Europeu (BCE) defende que é preciso continuar a investir para proteger o sistema financeiro de um ciberataque. Benoît Cœuré reconhece que foram feitos progressos para tornar o sector bancário mais seguro, mas o responsável do BCE alerta que é necessário adoptar mais medidas para se evitar "que a próxima crise seja provocada por um hacker".

 

Numa entrevista ao jornal alemão Der Tagesspiegel, Cœuré referiu que o "sistema financeiro está agora muito mais seguro do que estava há dez anos. Temos melhor regulação e almofadas de capital e liquidez mais elevadas nos bancos. Foram feitos bons progressos, mas ainda não chegámos lá".

 

"No BCE, estamos actualmente atentos à cibersegurança, por exemplo. Não queremos que a próxima crise seja provocada por um hacker. É preciso continuar a investir para proteger o sistema financeiro de ciberataques", defendeu Cœuré na entrevista realizada a 19 de Setembro e publicada hoje no site do BCE, admitindo, contudo, que "a próxima crise pode não começar necessariamente no sistema financeiro". 

 

Para o responsável do BCE, "há partes do sistema financeiro que ainda não estão nem perto do que deveriam estar em termos de regulação". Benoît Cœuré referia-se aos bancos sombra, ou seja, instituições financeiras que realizam actividades semelhantes às das instituições financeiras mas que não têm uma licença bancária.

 

"Os reguladores ainda não têm os instrumentos adequados para monitorizarem adequadamente e controlarem os riscos nessas instituições", defende o responsável do banco liderado por Mario Draghi.

 

BCE não vai criar uma moeda virtual

 

Além dos bancos sombra, há ainda outra área que ainda não está regulada: a das moedas virtuais. Questionado sobre a necessidade de regular estas divisas - que o responsável do BCE prefere classificar de activos e não de moedas devido à sua volatilidade - Cœuré diz apenas que a "prioridade é impedir que sejam usadas para lavagem de dinheiro ou para financiar o terrorismo".

 

Relativamente à possibilidade de os bancos centrais virem a desenvolver a sua própria moeda digital, o responsável afirma que "o dinheiro continua a ser uma forma relevante de pagamento na Zona Euro e que essa questão não se coloca". E disse ainda: "Para ser claro, o BCE não está a desenvolver uma moeda virtual".

São vários os responsáveis que têm vindo a alertar para os riscos destes divisas. No início do ano, o presidente do Banco Mundial disse que as "criptomoedas são basicamente um esquema ponzi". Pouco tempo depois, Yves Mersch, do BCE, alertou para a possibilidade de um "colapso das moedas virtuais poder levar a uma redução da liquidez no mundo real". O próprio presidente do banco central, Mario Draghi já disse que a Bitcoin faz parte de um grupo de "activos muito arriscados". 




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