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BCE quer que “bancos sejam bem geridos, não que sejam detidos por nacionais”

“É absolutamente vital que se evolua em direcção a bancos pan-europeus”, defende Peter Praet, conselheiro executivo do BCE, ao Público, desvalorizando “bancos detidos por nacionais”. Praet diz que Portugal tem de “desenvolver um mercado para o malparado”.

Negócios 23 de Maio de 2016 às 12:46
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O Banco Central Europeu defende que "o que interessa nos bancos é que sejam bem geridos, não que sejam detidos por nacionais", defende Peter Praet, membro do conselho consultivo da instituição sedeada em Frankfurt, em entrevista ao Público.

 

Para o BCE, que desde Novembro de 2014 assumiu a supervisão da banca europeia, "é absolutamente vital que se evolua em direcção a bancos pan-europeus, bancos que estejam geograficamente diversificados e que tenham uma garantia de toda a união monetária como um todo", revela o conselheiro executivo.

 

Praet não afasta a possibilidade de "haver bancos locais". O que o BCE não quer é "ter todo o sistema bancário exposto a uma economia local na união monetária como a nossa". Isto porque, justifica este responsável, "é uma combinação perigosa".

 

A posição expressa pelo conselheiro do BCE surge numa altura em que há um movimento de economistas, académicos e antigos responsáveis políticos contra o excesso de intervenção do supervisor europeu na definição da estrutura da banca em Portugal. Os signatários defendem diversidade na origem do capital da banca.

 

A defesa de bancos pan-europeus surge também contra a posição defendida pelo BCP, que pretende assumir-se como grande banco privado português e ambiciona mesmo participar no processo de venda do Novo Banco, apesar desta ambição estar dependente da autorização do BCE e da Comissão Europeia.

 

Portugal tem de resolver problema do malparado

 

O conselheiro da instituição europeia defende ainda que "é fundamental" que Portugal "desenvolva um mercado para o crédito malparado". Uma posição que surge em linha com aquilo que têm defendido o governador do Banco de Portugal e o primeiro-ministro.

 

Ainda na semana passada, na conferência sobre banca promovida pela APB e pela TVI, Carlos Costa e António Costa defenderam esta mesma ideia. Já os banqueiros recusaram a necessidade de criar um "banco mau" para resolver o problema do malparado.

 

Praet aponta Espanha como exemplo a seguir em Portugal, apesar de reconhecer que a situação portuguesa pode apresentar mais problemas, já que o incumprimento está no financiamento da pequenas e médias empresas (PME).

 

"Em Espanha fizeram isso muito mais cedo, mas muito do seu crédito malparado estava relacionado com a exposição ao imobiliário, algo com que é muito mais fácil lidar do que os empréstimos a PME, que são predominantes em Itália e Portugal. Nesses empréstimos é muito mais difícil definir um preço. Se um banqueiro tenta vender esses créditos, o comprador não sabe exactamente o que está a comprar, por isso, o preço acaba por ser muito baixo. Estas são questões técnicas muito difíceis de resolver", reconhece o conselheiro executivo do BCE.
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