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BCP com prejuízos de 218 milhões de euros em 2014

O resultado do BCP foi mais negativo do que era antecipado pelos analistas. Ficou em 218 milhões de euros no ano passado, abaixo dos 740,5 milhões de 2013. No quarto trimestre, banco saiu do vermelho numa base recorrente.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 02 de Fevereiro de 2015 às 17:09
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O Banco Comercial Português obteve prejuízos de 217,9 milhões de euros no exercício de 2014. O número fica ligeiramente acima dos 203 milhões de euros estimados pelos analistas consultados pela Reuters. Ainda assim, é mais de três vezes inferior ao resultado líquido negativo de 740,5 milhões alcançado em 2013. 

 

A descida reflecte, de acordo com o comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a "evolução favorável da rendibilidade da actividade em Portugal e o aumento do contributo das operações internacionais". 

 

A contribuir para que o banco liderado por Nuno Amado (na foto) esteja ainda em terreno negativo conta o nível de imparidades e provisões que foram necessárias devido à avaliação feita pelo Banco Central Europeu – aumentaram 34,9% para 1.107 milhões de euros.

 

Contudo, há três motivos positivos para que se tenha conseguido a redução dos prejuízos. Verificou-se um ganho de 69,4 milhões com a venda as posições nas seguradoras do ramo Não-Vida; já a alienação de títulos de dívida pública rendeu 319,2 milhões.

 

Margem financeira sobe 31,6%

 

Mas a razão mais forte para esta subida foi mesmo a margem financeira (diferença entre juros cobrados em créditos e juros pagos em depósitos e que serve de base ao negócio bancário), que subiu dos 848,1 milhões, em 2013, para os 1.116,2 milhões de euros, em 2014, um ganho de 31,6%.

 

Em Portugal, a melhoria da margem "reflecte a descida continuada do custo dos depósitos a prazo, o menor nível de juros associados à emissão dos instrumentos financeiros híbridos subscritos pelo Estado português (CoCos), na sequência do reembolso antecipado de 2.250 milhões de euros concretizado durante 2014, e o efeito positivo induzido pela operação de aumento de capital realizada em Julho de 2014", aponta o mesmo documento. Isto apesar das taxas de juro estarem em níveis historicamente baixos, o que baixou a procura de crédito. 

 

O produto bancário do BCP somou 2.292,5 milhões de euros, um aumento homólogo de 29,6%.

 

Corte de pessoal ajuda custos

 

Os custos operacionais do banco privado caíram 11,2% para 1.149,6 milhões, embora numa base comparável a diminuição seja apenas de 2,3%. Neste campo, e "na actividade em Portugal, os custos operacionais, excluindo o efeito dos itens específicos, diminuíram 5,9% face a 2013, traduzindo os objectivos delineados no plano estratégico, nomeadamente a diminuição do número de colaboradores e de sucursais e a redução salarial concretizada no terceiro trimestre de 2014, materializando-se numa descida de 5,0% dos custos com pessoal e numa redução de 6,1% dos outros gastos administrativos".

 

No final de 2014, o BCP contava com 7.795 funcionários em território nacional, uma quebra de 9,2% em relação ao ano anterior. A operação decorria em 695 sucursais em Portugal, menos 10,2% que em 2013.

 

No comunicado, o Banco Comercial Português adianta que o resultado recorrente do quarto trimestre atingiu o "break-even", ou seja, saiu da zona dos prejuízos. Nuno Amado afirmou que, neste período, foram constituídas imparidades, em parte, para compensar a perda de valor em bolsa das acções da PT SGPS

 

No ano passado, os créditos a clientes, numa base bruta, decresceram 4,3% para os 57.734 milhões de euros no banco, enquanto os depósitos ascenderam 2,5% para os 49.817 milhões. 

 

O rácio de crédito vencido há mais de 90 dias que está coberto por imparidades é de 83,1% no final do ano, mais forte dos que os 80,1% do ano anterior. "O crédito com incumprimento situou-se em 9,6% do crédito total em 31 de Dezembro de 2014, que compara com 9,2% em 31 de Dezembro de 2013, e o crédito em risco situou-se em 12% do crédito total, em 31 de Dezembro de 2014, que compara com 11,9% no final de 2013", ainda ainda o relatório apresentado. 

 

Em termos de capital, o rácio de solvabilidade CET1 ficou em 12%, menos duas décimas que no início do ano, tendo sido condicionado pelos resultados negativos apresentados pelo banco. 

 

 

 

 

(Notícia actualizada às 18h20 com mais informações)

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