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BCP diz até segunda-feira se cortes salariais evitam despedimento colectivo

O BCP prometeu responder até segunda-feira, 9 de Dezembro, à proposta dos sindicatos que pretende que o banco não faça qualquer despedimento coletivo se conseguir reduzir os custos com pessoal, a que Bruxelas obriga, apenas com cortes salariais.

Negócios com Lusa 07 de Dezembro de 2013 às 13:25
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Segundo disse à Lusa fonte sindical, os sindicatos querem que o banco dê garantias de que não fará um despedimento coletivo para que os trabalhadores aceitem a redução dos seus salários, o que este tem estado relutante em aceitar, bloqueando as negociações.

 

Numa reunião realizada sexta-feira, os sindicatos apresentaram alternativas para evitar o despedimento, entre as quais o BCP poder apenas despedir trabalhadores se não tiver reduzido os custos com pessoal para os 396 milhões de euros impostos pela Comissão Europeia, até final de 2015.

 

O plano de reestruturação que o BCP acordou com Bruxelas, depois de Estado ter injetado 3.000 milhões de euros no banco para o recapitalizar, prevê a redução do número de trabalhadores em Portugal para 7.747 no final de 2015 e 7.500 em 2017 e ainda uma redução de custos com pessoal em 396 milhões de euros no fim de 2015 e 392 milhões de euros em 2017.

 

Os sindicatos querem agora que o critério para o despedimento não seja o número de trabalhadores mas, sim, o cumprimento da meta de redução de custos. Ou seja, o despedimento seria completamente afastado se o banco conseguisse reduzir os custos com pessoal para 396 milhões de euros.

 

“Queremos um entendimento para que se atinjam objetivos sem necessidade se recorrer a despedimentos. O BCP ficou de dizer alguma coisa na segunda-feira”, disse à Lusa um dirigente sindical, adiantando que a resposta final caberá ao presidente do banco, Nuno Amado.

 

Para já, o banco e os sindicatos já chegaram a acordo quanto aos cortes salariais temporários, que irão vigorar até ao final de 2017, os quais abrangerão os trabalhadores que ganhem acima de mil euros brutos, com as reduções a variarem entre 3% e 12%, em função da retribuição mensal efetiva. Os cortes serão temporários, vigorando apenas até 2017, e os trabalhadores começarão a ser reembolsados dos cortes assim que o banco tiver lucros.

 

De acordo com os sindicatos, face aos 1.600 trabalhadores que o BCP iria despedir, com os cortes não haverá nenhum despedimento e “serão mesmo poupados 400 postos de trabalho”, com os restantes 1.200 a saírem do banco através de rescisões amigáveis e reformas antecipadas, que continuarão a ter os benefícios do fundo de pensões e da assistência médica.

 

O BCP tem vindo a emagrecer os seus recursos humanos, acompanhando as exigências dos reguladores mas também a queda do negócio bancário. Em 2012, o banco já tinha levado a cabo um amplo programa de corte de postos de trabalho, com mais de 1000 trabalhadores a saírem do banco, a maior parte através de rescisões amigáveis.

 

 
Acordo em perigo

Sindicatos e BCP já estão de acordo em diversos pontos do corte salarial.

 

Cortes poupam salários abaixo de mil euros

A Febase propôs, e o BCP aceitou, que os trabalhadores do banco que ganhem até 1.000 euros brutos por mês fiquem isentos dos cortes salariais temporários. A partir desta remuneração, as reduções salariais serão progressivas. Ainda não se sabe qual o intervalo de cortes que foi objecto de acordo. O BCP avançou com uma proposta de variação de 5% a 10%, os sindicatos entre 3% e 12,5%.

 

Reduções serão reembolsadas após 2017

As partes já concordaram que os valores remuneratórios de que os trabalhadores vão abdicar até ao final de 2017 serão devolvidos aos trabalhadores depois de o banco reembolsar a ajuda que recebeu do Estado. O BCP quer que esta devolução seja feita através de uma proposta de distribuição de resultados, a aprovar em assembleia-geral. Para os sindicatos era importante que os colaboradores ficassem como credores da instituição.

 

Programa de rescisões e pré-reformas

BCP e sindicatos acordaram que o banco avançará com um programa de reformas antecipadas, com condições favoráveis para os trabalhadores. Esta será a solução preferencial na redução de quadros, no entanto, o banco também avançará com uma oferta para rescisões voluntárias, com condições acima do que está previsto na lei.

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