Banca & Finanças BCP e sindicatos chegam a acordo para redução das remunerações entre 3 e 11%

BCP e sindicatos chegam a acordo para redução das remunerações entre 3 e 11%

O BCP e os sindicatos dos bancários anunciaram hoje a celebração de um acordo para a salvaguarda de 400 postos de trabalho que prevê um corte entre os 3 e os 11 por cento das remunerações ilíquidas superiores a mil euros.
BCP e sindicatos chegam a acordo para redução das remunerações entre 3 e 11%
Bruno Simão/Negócios
Lusa 31 de dezembro de 2013 às 16:18

As negociações entre os Sindicatos da FEBASE e a administração do BCP chegaram ao fim, após dois meses e meio de discussão, terminando com um acordo que garante a salvaguarda de cerca de 400 postos de trabalho e a reposição das atuais condições remuneratórias depois do banco cumprir as obrigações inerentes ao plano de recapitalização assinado com a Autoridade Europeia da Concorrência (DGComp).

 

O dirigente da Federação sindical do sector Bancário (FEBASE) Paulo Alexandre explicou à agência Lusa que o corte acordado vai ser aplicado à retribuição total efectiva dos trabalhadores que ganham mais de mil euros, não abrangendo o subsídio de refeição nem as diuturnidades.

"Na prática o corte vai recair apenas sobre os subsídios e não sobre os salários base", disse o sindicalistas.

 

De acordo com Paulo Alexandre, o corte de 3% será aplicado a quem ganha mais de mil euros ilíquidos e este valor vai aumentando proporcionalmente até chegar aos 11 por cento, que é o corte a aplicar a quem tem uma remuneração de 7 mil euros.  

 

O acordo estabelecido entre as estruturas sindicais e o BCP faz parte de um plano para redução de custos com pessoal, a par de outras medidas de ajustamento do quadro de pessoal, nomeadamente reformas antecipadas, rescisões por mútuo acordo e um programa de saídas por adesão voluntária.

 

Para minorar os impactos da medida de ajuste salarial foi acordado que, durante o período de vigência do acordo, os trabalhadores poderão solicitar a carência de capital dos seus empréstimos junto do banco, assim como optar pelo prolongamento do prazo de amortização até aos 75 anos.

 

O acordo prevê ainda que o Conselho de Administração e a Comissão Executiva do Millennium BCP submeterão à assembleia geral de accionistas uma proposta de distribuição de resultados pelos trabalhadores, após o reembolso integral da ajuda do Estado, para lhes devolver um valor equivalente ao do ajuste salarial temporário.

 

A aplicação dos cortes salariais deverá ocorrer no primeiro semestre de 2014, após a alteração das convenções colectivas e da aprovação de uma portaria de extensão, que permita a aplicação universal deste acordo dentro dum prazo "adequado" ao cumprimento dos compromissos assumidos com Bruxelas.

 

Enquanto vigorar o acordo, no máximo até ao final de 2017, estão congeladas as promoções, progressões e diuturnidades.

 

O plano de reestruturação que o BCP acordou com Bruxelas, depois de Estado ter injectado 3.000 milhões de euros no banco para o recapitalizar, prevê a redução do número de trabalhadores em Portugal para 7.500 até final de 2017 e a redução de cerca de 135 milhões de euros nos custos com pessoal.

 

O BCP tem vindo a reduzir os seus recursos humanos, acompanhando as exigências dos reguladores, mas também a queda do negócio bancário. Em 2012, o banco já tinha levado a cabo um programa de corte de postos de trabalho, com mais de 1.000 trabalhadores a saírem do banco, a maior parte deles através de rescisões por mútuo acordo.

 

 

 




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