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BCP cortou quase 5.000 postos de trabalho em 10 anos e encerrou 280 balcões

Banco liderado por Nuno Amado tem reduzido a sua força de trabalho todos os anos desde 2003, uma tendência que deverá prolongar-se pelo menos até 2015 para cumprir as exigências da Comissão Europeia. Mais de um terço da força de trabalho foi eliminada em 10 anos.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 02 de Setembro de 2013 às 17:06
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O número de colaboradores do Banco Comercial Português, no final de 2003, era de 13.636, no que diz respeito apenas à actividade do banco em Portugal.

 

Volvidos dez anos, o BCP apresenta um número de colaboradores afectos à actividade em Portugal bem mais reduzido. Em Junho situava-se em 8.744 e a tendência será para a descida acentuar-se nos próximos trimestres, para o banco cumprir as exigências da Comissão Europeia.

 

Devido ao auxílio estatal de 3 mil milhões de euros que recebeu no ano passado, o BCP ficou sujeito à implementação de um plano de reestruturação, que recebeu esta segunda-feira a aprovação final por parte da entidade reguladora da Comissão Europeia.

 

Entre várias exigências, o BCP será obrigado a reduzir os custos com pessoal em 25% até ao final de 2015, na sua actividade em Portugal, face ao nível que registava no final de 2012. Uma medida que deverá exigir uma aceleração no corte de postos de trabalho no banco, apesar de o BCP garantir que parte importante deste corte de 25% foi já atingido.

 

Mas a tendência de corte de postos de trabalho no BCP vem já de muito longe. Em todos os anos, pelo menos desde 2003, o número de empregos tem vindo a descer, de acordo com os dados recolhidos pelo Negócios nos Relatórios e Contas do BCP. No conjunto dos últimos 10 anos o corte foi de 36%, ou seja, o banco agora liderado por Nuno Amado perdeu mais de um terço da sua força de trabalho.

 

Em 2012 o número de postos de trabalho cortados foi de 977, sendo em que em 2004 e 2005 o corte foi superior a mil em cada um dos anos.

 

Os custos com pessoal do BCP em Portugal desceram 20,9% para 523,3 milhões de euros em 2012, um valor que compara com os 677,5 milhões de euros em 2003. Para atingir a meta imposta por Bruxelas, o BCP terá que chegar a 2015 com custos com pessoal abaixo dos 400 milhões de euros, um nível cerca de 40% inferior ao registado há dez anos.

 

Se na actividade em Portugal a tendência de descida dos postos de trabalho tem sido contínua, no negócio internacional a evolução é diferente. Depois de atingir um pico acima de 12 mil em 2008, o que representava um crescimento de quase 50% em quatro anos, o número de colaboradores do BCP no exterior também tem vindo a descer.

 

Baixou mais de 16% desde 2008, num total de quase dois mil empregos eliminados, sendo que a força de trabalho do BCP no exterior é agora de pouco mais de 10.000.

 

Menos de 800 agências bancárias em Portugal

 

O corte de postos de trabalho em Portugal resulta sobretudo do fecho de agências bancárias no país, uma tendência transversal em quase toda a banca portuguesa e que reflecte também o aumento do peso das transacções electrónicas no negócio do sector financeiro.

 

Em 2003 o BCP tinha 1.077 agências bancárias em Portugal e em Junho o número reduziu-se para 797. O que representa um corte de 26% e o fecho líquido de 280 balcões.

 

Contudo, ao contrário do que aconteceu com o número de colaboradores, a evolução do número de balcões não foi sempre uniforme ao longo dos últimos 10 anos. Em resultado da criação do Millennium bcp (que agrupou várias marcas do grupo), o banco reduziu balcões de forma sucessiva entre 2003 e 2006.

 

Nos dois anos seguintes foram abertas mais de 50 agências e a partir de 2009 o número balcões voltou a ser reduzido de forma sucessiva. No ano passado foram eliminadas 46 agências bancárias e só na primeira metade deste ano mais 42 fecharam portas.

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