Banca & Finanças BCP diz que data para entrega de propostas para Novo Banco "não é a ideal"

BCP diz que data para entrega de propostas para Novo Banco "não é a ideal"

O Brexit veio prejudicar a data para que os concorrentes ao Novo Banco entreguem propostas, 30 de Junho, defende o presidente executivo do BCP. Nuno Amado também não confirma se o banco vai mesmo entregar uma proposta.
BCP diz que data para entrega de propostas para Novo Banco "não é a ideal"
Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro 28 de junho de 2016 às 13:23

Nuno Amado considera que o referendo ao Brexit tem impacto no processo de venda do Novo Banco. Aliás, apesar de o BCP ter consultado os dados confidenciais relativos à instituição herdeira do Banco Espírito Santo, o presidente executivo não confirma se vai ser entregue uma proposta. 

 

"Não é a ideal". É assim que o líder do Banco Comercial Português comenta a data final para a entrega de propostas para a compra do Novo Banco, que está fixada em 30 de Junho, esta quinta-feira, depois do referendo no Reino Unido ter ditado a saída do país da União Europeia. 

 

As palavras de Nuno Amado foram ditas em Cascais esta terça-feira, 28 de Junho, onde se realiza o Fórum Económico e Social de Moçambique, que contou com a presença do líder do BCP, e foram citadas pela agência Bloomberg.

 

Aliás, as palavras públicas de Nuno Amado vêm trazer uma pressão adicional para Sérgio Monteiro, contratado pelo Banco de Portugal para preparar a venda da posição accionista do Fundo de Resolução na instituição financeira depois do processo falhado em Setembro do ano passado (em que a turbulência nos mercados causada pela China foi uma das justificações para o cancelamento). Como o Negócios deu conta na segunda-feira, há fontes do sector financeiro que acreditam que faz sentido alterar o prazo limite dada a proximidade de calendário com o referendo no Reino Unido, que decorreu na quinta-feira passada e que causou um tombo nas bolsas tanto na sexta-feira como na segunda-feira. Até à data, os concorrentes não tinham sido informados de qualquer alteração da data - e com base na intervenção de Nuno Amado, tudo continua igual. 

 

O Brexit foi o factor que levou a que a autoridade de resolução deixasse cair uma das modalidades que estava a ser em aberto: a dispersão de capital em bolsa. Ficou, assim, em cima da mesa apenas a venda a investidores estratégicos, com o referido calendário de entrega de propostas para quinta-feira. Uma decisão tomada apesar de Nuno Amado ter dito que os bancos portugueses não têm exposição directa ao Reino Unido.

 

BCP não se compromete com proposta

 

Num ambiente de incerteza, Nuno Amado traz mais indefinição para o processo. Embora o banco privado tenha consultado o dossiê, tendo acesso a dados confidenciais do Novo Banco, ainda não é certo que avance com números para a compra, já que Nuno Amado se recusou a dizer aos jornalistas se o vai fazer. 

Além do BCP, estão na corrida pelo Novo Banco o BPI (alvo de oferta pública de aquisição por parte do CaixaBank), o Santander, o fundo Apollo e ainda outros fundos de "private equity" norte-americanos, não identificados. 

É para o(s) investidor(es) estratégico(s) que o Banco de Portugal quer empurrar a cobertura de eventuais futuras necessidades de capital da instituição financeira, já que a prioridade no processo de alienação do Novo Banco é, como anvaça o Negócios esta terça-feira, não sobrecarregar ainda mais o Estado com encargos com a banca.


(Notícia actualizada com mais informações pelas 13:45)




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