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BCP vê mais interesse no imobiliário e não só de fundos à procura de desconto

Miguel Maya, vice-presidente do BCP, traça um cenário mais positivo para a venda de imóveis em Portugal. Numa entrevista à Bloomberg, reforça que o banco tem conseguido vender activos acima do valor contabilístico.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 28 de Setembro de 2016 às 14:30
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O Banco Comercial Português considera existir um maior interesse por activos imobiliários. Uma procura que não vem apenas de fundos de investimento que tentam comprar imóveis a preços mais baixos.

 

Em entrevista à agência Bloomberg, o vice-presidente da comissão executiva do BCP, Miguel Maya, afirmou que "os investidores estrangeiros chegaram finalmente ao mercado português e estão a começar a olhar para os activos com entusiasmo".

 

"Estamos, por exemplo, a falar de grupos hoteleiros, que querem desenvolver a sua actividade em Portugal, mais do que de fundos que estão à compra de carteiras de imóveis a desconto", assinalou à mesma agência de informação o administrador que é responsável pela direcção do negócio imobiliário do BCP.

 

À semelhança dos bancos do sistema português, o BCP tem muitos imóveis em carteira. Com a crise financeira, as instituições financeiras ficaram com os imóveis na sequência da impossibilidade de os tomadores de empréstimos fazerem face às dívidas.

 

No final do primeiro semestre, e segundo uma apresentação oficial, o banco liderado por Nuno Amado tinha no balanço 1.583 milhões de euros imóveis recebidos em dação de pagamento, um número que compara com os 1.308 milhões registados um ano antes. Havia uma imparidade de 212 milhões de euros para esta carteira, que representa uma cobertura de 13,4%. Contudo, nessa altura, o banco defendeu que estava a alienar os imóveis acima do valor contabilístico: foram vendidos imóveis, no primeiro semestre, registados a 91 milhões face aos 100 milhões de euros obtidos na venda.  

 

Aliás, Miguel Maya diz isso mesmo à Bloomberg: em média, a venda de imóveis que está a ser feita pelo BCP está a ser concretizada a preços superiores ao valor registado no balanço.

 

A questão do imobiliário é importante para os bancos nacionais que têm de reduzir os activos que consumem mais capital no cálculo dos rácios, em que se incluem os imóveis recebidos por incumprimento de crédito hipotecário (o outro problema é, precisamente, o crédito malparado). O administrador do BCP está optimista. 

 

"As condições para que os bancos comecem a acelerar a venda destes activos no mercado estão finalmente a sentir-se", frisou ainda Miguel Maya à Bloomberg. 

O BCP está numa fase de transformação. No final do primeiro semestre, o banco optou por fazer uma limpeza das contas, aumentando em força das imparidades para crédito e tendo prejuízos de 197,3 milhões de euros. O balanço ficou mais limpo e foi depois disso que a Fosun decidiu apostar no banco e mostrar a intenção de ficar com até 30% do seu capital. Neste momento, estão a decorrer negociações exclusivas entre a equipa liderada por Nuno Amado e o grupo chinês que detém a Fidelidade e a Luz Saúde para abrir portas a esse investimento. 

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