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BE diz que "parte boa" do Novo Banco tem de ser pública

O Bloco de Esquerda (BE) declarou esta quarta-feira que numa fase posterior à aprovação final do Orçamento do Estado (OE) deve haver um debate político e técnico sobre o Novo Banco e uma eventual manutenção da entidade na esfera pública.

Bruno Simão/Negócios
Lusa 24 de Fevereiro de 2016 às 19:29
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"Não sei e acho que seria leviano da minha parte dizer qual a melhor forma de integrar o Novo Banco na Caixa Geral de Depósitos (CGD). Acho que temos de abrir esse debate. Há um debate político e um debate técnico que devem ser feitos", vincou Mariana Mortágua, em declarações no Parlamento, quando questionada sobre uma eventual integração do Novo Banco na esfera pública.

A posição do Bloco de controlo público da banca "mantém-se" e tem agora "mais força", até em virtude de notícias recentes sobre o Novo Banco, entidade que surgiu após a resolução do BES, mas que até ao momento não foi ainda vendida.

Para Mariana Mortágua, deve haver uma avaliação sobre a forma como o Novo Banco, numa eventual nacionalização, "pode complementar o que a CGD tem" a nível de negócio, sendo que o "perfil industrial e empresarial" não é um dos pontos fortes da entidade pública.

"É uma das grandes falhas neste momento do nosso sistema económico", prosseguiu, sobre este ponto, lembrando o papel do antigo BES na dinamização de crédito junto das empresas.

"Há muito tempo que o BE defende o controlo público da banca e no caso do Novo Banco sempre o dissemos: é importante haver uma separação entre os ativos bons e maus para que os contribuintes não sejam chamados a pagar aquilo que devem ser os accionistas a pagar. Mas a parte boa que é paga com o dinheiro de todos nós tem de ser controlada pelo Estado, tem de servir a economia", prosseguiu a parlamentar bloquista.

Na terça-feira, o primeiro-ministro e líder socialista, António Costa, afirmou que "a pressa é má conselheira" e há que "dar tempo para se encontrar uma boa solução" para o Novo Banco, depois de o Estado - via Fundo de Resolução bancária - ter investido mais de quatro mil milhões de euros para recapitalizar a entidade.

Na segunda-feira, o economista, conselheiro de Estado de Cavaco Silva e ex-presidente do Novo Banco, Vítor Bento, admitiu que a nacionalização daquela instituição bancária poderá ser "uma saída possível", considerando que "a venda não será já muito favorável".

Hoje, o vice-presidente da bancada parlamentar socialista João Galamba frisou a intenção de vender o Novo Banco a privados, sendo a sua manutenção sob controlo público o último recurso, caso não existam compradores e ofertas válidas.

Pelo CDS-PP, o deputado João Almeida recusou admitir sequer o "falhanço" da venda do Novo Banco ou a sua nacionalização, alertando ainda para a necessária responsabilidade nas declarações públicas de Governo, PS e outros partidos da maioria.

O PCP apresentou terça-feira na Assembleia da República um projecto de resolução no sentido da manutenção daquela instituição bancária sob controlo público.

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