Banca & Finanças BES regista prejuízos acima do esperado pelos analistas

BES regista prejuízos acima do esperado pelos analistas

Prejuízos foram de 237,4 milhões de euros, quando os analistas apontavam para um valor bem inferior. No período homólogo o banco tinha tido lucros, sendo que os resultados da primeira metade deste ano foram fortemente pressionados pela subida das provisões para fazer face ao crédito malparado, que superaram os 500 milhões de euros.
BES regista prejuízos acima do esperado pelos analistas
Carla Pedro 26 de julho de 2013 às 18:07

O Banco Espírito Santo (BES) reportou perdas de 237,4 milhões de euros no primeiro semestre do ano, contra um lucro de 25,5 milhões no período homólogo de 2012.

 

A “poll” de quatro analistas inquiridos pela Reuters apontava para um prejuízo médio de 128 milhões de euros no primeiro semestre, justificados sobretudo pela pressão na margem financeira e pelo agravamento do malparado devido à recessão em Portugal.

 

“As consequências da recessão económica, principalmente ao nível das empresas, determinaram o aumento do número de insolvências com impacto directo nas imparidades e no provisionamento e afectaram negativamente as receitas: o produto bancário diminuiu 17,6% e o reforço de provisões aumentou 75,3%. Estes factores determinaram o apuramento de um prejuízo no semestre de 237,4 milhões de euros”, refere o comunicado à CMVM do banco liderado por Ricardo Salgado.

 

Com efeito, as provisões líquidas totais aumentaram 75,3% para 747,3 milhões de euros. Deste valor, o segmento ao qual se destinou a maior fatia foi o do crédito, com uma provisão de 553,1 milhões de euros (+57,1%). As provisões para títulos ascenderam a 52,8 milhões de euros e para outros activos fixaram-se em 141,4 milhões.

 

O rácio de crédito vencido há mais de 90 dias aumentou para 5,1% do total, um forte agravemtno face aos 3,9% registados no final de 2012. O rácio de crédito em risco atingiu 10,7%, acima dos 9,4% registados em Dezembro do ano passado.

 

O produto bancário caiu 17,6% no período em análise, de 1.191,5 milhões de euros para 982,4 milhões.

 

O documento do BES destaca que a evolução do grupo, num contexto ainda de “acentuada contracção económica em Portugal devido à crise internacional e ao programa de austeridade”, foi caracterizada no semestre da seguinte forma por um aumento da carteira de crédito em 712 milhões de euros (+2,8% anualizado), assente no segmento de empresas com um acréscimo de 997 milhões de euros (+5,4% anualizado).

 

Já o crédito a particulares manteve a trajectória de redução, que atingiu 285 milhões de euros (-4,1%) devido à diminuição da procura e ao reembolso do crédito à habitação.

 

A captação de depósitos de clientes, por seu lado, “evoluiu favoravelmente”, com um aumento de 15,7% face aos primeiros seis meses do ano passado.

 

O rácio Core Tier I situou-se em 10,4%, mantendo-se acima do requisito mínimo de 10% fixado pelo Banco de Portugal; de acordo com os critérios da EBA o rácio Core Tier I é de 9,5% (requisito mínimo: 9%), sublinha o comunicado do BES.

 

O banco liderado por Ricardo Salgado refere ainda que, “no quadro dos desafios que o sector financeiro atravessa e considerando o contexto económico e financeiro do país, o Grupo BES lançou um programa de racionalização e de redução gradual de custos operacionais, na área doméstica, a implementar no triénio 2013-2015 e que deverá originar poupanças de 100 milhões de euros durante aquele período”.

 

A área doméstica “foi determinante na redução dos custos com pessoal, conseguindo-se operar uma diminuição de 3,7% nestes custos, suportada nas remunerações variáveis e na diminuição do número de colaboradores (menos 104 colaboradores). Sem o impacto das novas consolidações a redução destes custos teria sido de 4,6%”, acrescenta o comunicado.

 

Na actividade em Portugal o BES registou prejuízos de 256,3 milhões de euros. No negócio internacional os lucros desceram 75,8% para 18,9 milhões de euros.

 

O BES chegou a Junho com 652 balcões em Portugal, o que representa um corte de 26 agências no espaço de um ano. Na actividade internacional o banco abriu mais 14 agências, elevando para 117 o número de unidades.

 

Na sessão de hoje, o BES encerrou em terreno positivo, a subir 1,10% para 0,732 euros.

 

(notícia actualizada às 18h20)

 




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