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Deloitte recebe 2,8 milhões de euros do BES por relatório que está por revelar

A avaliação feita ao BES, numa lógica de liquidação, continua por ser revelada, mais de 20 meses após a resolução. "Tal avaliação está muito próxima do seu termo", diz a administração do banco.

Miguel Baltazar/Negócios
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O Banco Espírito Santo pagou, em 2015, 2,8 milhões de euros à Deloitte para o relatório que tem de definir o que é que os credores do banco tinham perdido se, em vez de uma resolução, o banco tivesse sido liquidado.

 

Segundo o relatório e contas de 2015, a 31 de Dezembro de 2015, a rubrica de consultoria e auditoria do BES incluía "2,8 milhões de euros relativos ao trabalho com vista a determinar a estimativa do nível de recuperação de créditos de cada classe de credores, num cenário de liquidação do BES em momento imediatamente anterior ao da aplicação da medida de resolução, a efectuar pela Deloitte Consultores".

 

O montante representa mais de metade dos 4,6 milhões gastos nesta rubrica no ano passado, período em que a entidade liderada por Luís Máximo dos Santos (na foto) registou prejuízos de 2,6 mil milhões de euros.

 

O relatório que é da responsabilidade da Deloitte é realizado por determinação do Banco de Portugal, o responsável por assegurar o cumprimento da lei: em qualquer resolução bancária, tem de ser feita uma avaliação para determinar se os accionistas e obrigacionistas não saíram prejudicados na resolução. Se tal aconteceu, a diferença entre o prejuízo obtido na resolução e o que aufeririam numa liquidação tem de ser paga pelo Fundo de Resolução. Nem a Deloitte nem o Banco de Portugal têm respondido a perguntas sobre o assunto. O BES, no relatório e contas, indica que "tal avaliação está muito próxima do seu termo". 

 

A este pagamento pela auditoria da Deloitte, que continua sem ser revelada mais de 20 meses após a resolução, houve mais 900 mil euros recebidos pela mesma entidade pela "auditoria forense efectuada ao banco", a pedido do Banco de Portugal.

 

A Baker Tilly, empresa que verifica se o Estado português está a cumprir os compromissos assumidos na resolução perante a Comissão Europeia, para efeitos de concorrência, recebeu, no ano passado, 380 mil euros. Já a KPMG, que é a auditora oficial do BES (já o era antes da resolução), auferiu 138 mil euros.

 

No ano anterior, os custos com assessorias tinham ascendido a 6,2 milhões de euros: a Baker Tilly e a KPMG receberam praticamente o mesmo em 2014, mas houve 3,15 milhões despendidos com a PwC, que fez a avaliação de activos e passivos transferidos para o Novo Banco, e ainda 1,69 milhões na auditora forense determinada pelo Banco de Portugal.

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