Banca & Finanças BIC admite ter colaboradores acusados por ligações ao caso MoneyOne

BIC admite ter colaboradores acusados por ligações ao caso MoneyOne

O Correio da Manhã avançou que cinco funcionários do BIC estavam acusados de corrupção. O banco assume mas diz que nenhum administrador é visado. O BIC recusa dizer que procedimentos foram tomados.
BIC admite ter colaboradores acusados por ligações ao caso MoneyOne
Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro 27 de abril de 2016 às 17:50

O BIC Portugal admite que alguns dos seus funcionários estão acusados por ligações à casa de câmbio Money One, suspeita de branqueamento de capitais. O Correio da Manhã fala em cinco colaboradores.

 

Em comunicado, o banco cujo presidente executivo é Mira Amaral defende que nenhum administrador é visado: "Nem o Banco BIC nem qualquer membro dos seus órgãos sociais são sujeitos processuais no processo referenciado pelas notícias ou em qualquer outro de natureza semelhante".

 

O Negócios noticiou que o impasse na escolha da nova administração do BIC, incluindo do sucessor do CEO (o vice-presidente Jaime Pereira era o nome proposto pelos accionistas), se deveu aos fracos mecanismos de prevenção do branqueamento de capitais no banco - o diálogo para a escolha prossegue. O caso Money One, em investigação, será um dos exemplos. 

 

O BIC defende que, quando detectados os problemas com os seus funcionários, "foram abertas tempestivamente pelo Banco BIC as auditorias internas com vista ao apuramento de práticas e responsabilidades, tendo sido efectuado o reporte apropriado". O banco, de que Isabel dos Santos é accionista, acrescenta que tem seguido o processo mas sublinha que é necessário respeitar "o princípio legal da presunção de inocência em relação aos colaboradores agora acusados".

 

Segundo o Correio da Manhã, a investigação decorre em articulação entre a Polícia Judiciária, o Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa e a Autoridade Tributária. Ao todo, são mais de 29 pessoas acusadas, sendo que o jornal fala também num funcionário do Banco de Portugal, que foi despedido.

 

O que aconteceu aos colaboradores do BIC não é indicado. "Os aspectos concretos inerentes à relação laboral existente entre os colaboradores e o Banco BIC são assuntos do foro interno, que exigem adequada reserva no seu tratamento, tendo em conta as obrigações legalmente prescritas de respeito pela vontade e privacidade dos envolvidos. Quaisquer eventuais medidas tomadas ou a tomar pelo banco neste domínio estão abrangidas pelo dever de reserva", adianta o comunicado.

 

A Money One era uma casa de câmbios a que o Banco de Portugal ordenou, há um ano, a suspensão de todas as operações. Na altura, o regulador recolha "um conjunto de elementos de informação que indiciam fortemente estarem as sociedades a ser utilizadas, por pessoas directa ou indirectamente relacionadas com as estruturas accionistas e/ou de gestão daquelas entidades, para a circulação de fundos provenientes de origem ilícita, com o objectivo de, assim, se assegurar a integração dos mesmos no sistema financeiro e o seu subsequente branqueamento". O branqueamento de capitais é a colocação de dinheiro oriundo de fontes ilícitas - neste caso, de tráfico de droga - sem que seja detectada a origem. 

  

Os funcionários do BIC estão acusados por terem facilitado a integração desse dinheiro no sistema, não aplicando as normas exigíveis para apuramento da origem do mesmo, de acordo com o Correio da Manhã.




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