Banca & Finanças BPI: Acordo em Angola reduz potenciais perdas do BCP com Novo Banco

BPI: Acordo em Angola reduz potenciais perdas do BCP com Novo Banco

"Qualquer valor a ser recuperado em Angola traduz-se em ganho para o Novo Banco", sintetiza o BPI. Logo, o fundo de resolução, a enfrentar prejuízos com a venda da instituição, já tem aqui uma "ajuda".
BPI: Acordo em Angola reduz potenciais perdas do BCP com Novo Banco
Diogo Cavaleiro 21 de outubro de 2014 às 10:49

O modelo encontrado para salvar o BES Angola é positivo para a banca portuguesa, segundo a unidade de investimento do BPI. Numa eventual venda com total prejuízo do Novo Banco, a banca não terá de pagar os 4,9 mil milhões injectados à partida.

 

"Relembramos que o empréstimo ao BESA foi totalmente provisionado e transferido para o Novo Banco. Como tal, qualquer valor a ser recuperado traduz-se em ganho para o Novo Banco", indica o analista Carlos Peixoto, do BPI Equity Research. Ganho para o Novo Banco e, portanto, para o accionista.

 

O BES reconheceu uma provisão de mais de 3,3 mil milhões de euros para cobrir o empréstimo cedido à unidade de Angola. Serão reembolsados cerca de 720 milhões de euros, 20% do total do empréstimo. Um valor é certo, ainda que sujeito a variações, dado que será concedido através de empréstimos, o que dependerá sempre de cupões e taxas associadas. 333 milhões de euros serão pagos num empréstimo a 218 meses enquanto outros 333 milhões num crédito a 10 anos. 56 milhões serão convertidos numa participação de 9,9% do Novo Banco no BESA (os valores são variáveis tendo em conta que são definidos em kuanzas).

 

Com o plano anunciado ontem pelo regulador angolano, o Novo Banco, que herdou o empréstimo ao BESA, irá recuperar 20% do crédito concedido. Ou seja, reduzem-se as perdas potenciais numa venda futura desta instituição que recebeu uma capitalização global de 4,9 mil milhões de euros (valor que em grande parte se deveu ao empréstimo ao BESA). "Ao aumentar-se o valor do Novo Banco, esta recuperação deverá traduzir-se em menores perdas para o fundo de resolução e, por fim, menores as necessidades de contribuições extraordinárias dos bancos para o fundo", aponta o BPI Equity Research, unidade do BPI (banco que contribui para aquele fundo de resolução, accionista único do Novo Banco até à sua venda). 

 

Na nota de "research", o especialista do BPI analisa sobretudo o impacto da decisão no BCP (o banco de investimento não faz a cobertura da sua casa-mãe nem fala sobre a CGD, banco não cotado em bolsa). Tendo em conta 712 milhões de euros que vêm de Luanda para Lisboa, e partindo do princípio de uma venda a zero, o BPI calcula que haveria perdas de 4.188 milhões (diferença face aos 4,9 mil milhões injectados). O fundo de resolução já tem os 377 milhões nas suas contas, pelo que o restante teria de ser suportado por contribuições extraordinárias da banca para o fundo: para o BCP, este cenário representaria um contributo líquido de 639 milhões de euros, 15% da sua capitalização bolsista.

 

Já se a venda do Novo Banco for feita a metade do preço do dinheiro injectado, o BCP teria de contribuir com 228 milhões de euros líquidos de impostos, 5% do valor de mercado.

 

"A venda do Novo Banco será vital para determinar que proporção desse valor em risco poderá efectivamente tornar-se em perdas para o banco", conclui o BPI.

 

Depois de anunciado, as acções do BCP estão a subir 4,76% para 8,8 cêntimos.

 

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro. 




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