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BPI diz que acordo "ficou sem efeito" e culpa Isabel dos Santos

O banco liderado por Fernando Ulrich acusa a empresa de Isabel dos Santos de desrespeitar o que tinha acordado e exigir alterações que iriam "desfigurar gravemente a solução que fora acordada".

Miguel Baltazar
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Uma semana depois de ter anunciado um entendimento entre os seus dois maiores accionistas para resolver a sobreexposição do BPI a Angola, o banco liderado por Fernando Ulrich anunciou que afinal o acordo "ficou sem efeito".

 
O primeiro-ministro, antes de partir para Paris onde tem agendado um encontro com o primeiro-ministro francês Manuel Vallls, comentou esta ruptura nas negociações. António Costa "lamenta que não se tivesse confirmado o acordo" entre o CaixaBank e a Santoro Finance, mas diz estar confiante que "mesmo sem acordo, estejam criadas condições para que a administração do BPI e os seus accionistas possam tomar decisões para dar cumprimento às d orientações das entidades europeias sem sobressaltos ao sistema financeiro nacional.

Num comunicado enviado à CMVM, o BPI acusa a Santoro, de Isabel dos Santos, de exigir uma alteração ao acordo que "pela sua relevância, iria desfigurar gravemente a solução que fora acordada e comunicada ao Conselho de Administração do Banco BPI, que a aprovou em reunião realizada no dia 13 de Abril".

 

No início do comunicado o BPI começa por salientar que anúncio de acordo que publicou no passado domingo, último dia dado pelo BCE para que fosse apresentada uma solução para reduzir a exposição ao mercado angolano, resultou de informações recebidas pelos seus accionistas Caixabank e Santoro Finance. E que esse entendimento estava vertido num "conjunto de documentos contratuais que seriam apresentados aos órgãos sociais competentes nos próximos dias e que, tão logo fossem aprovados, seriam comunicados ao mercado".

 

Esse acordo entre os accionistas acabou por ser aprovado pelo Conselho de Administração do BPI, já que o banco deveria intervir numa série de operações que estavam previstas no acordo.

 

O problema foi que, já depois do dia 10 de Abril, "a Santoro Finance desrespeitou o que tinha acordado e veio a solicitar alterações aos documentos contratuais" já aprovados pela administração do BPI. E se em algumas das alterações foi possível "chegar a um acordo", numa delas tal não foi possível pois "iria desfigurar gravemente a solução que fora acordada", acusa o BPI.

 

Perante este impasse, "ficou sem efeito o entendimento que foi anunciado ao mercado no passado dia 10 de Abril e a solução que no quadro do mesmo estava prevista", refere o BPI, acrescentando que "está em contacto com o Banco Central Europeu para ser encontrada uma alternativa".

Isabel dos Santos fala em "elementos pendentes"

 

O comunicado do BPI surge depois a Santoro ter no Sábado anunciado que as negociações com o CaixaBank estavam ainda em curso, embora existissem "elementos pendentes que precisam de ser resolvidos".

 

"Tenho esperança de que as negociações em curso serão concluídas com êxito, no melhor interesse de todas as partes", referiu Isabel dos Santos no comunicado emitido pela Santoro.

 

Ao Negócios, fonte da Santoro sublinhou que o objectivo deste comunicado não é o de anunciar uma ruptura, mas precisamente o inverso, ou seja, o de "tudo fazer para evitar males maiores". "O nosso objectivo é o diálogo e desejamos manter todas as portas e canais de comunicação abertos", acrescentou a mesma fonte, a qual faz um apelo ao "bom senso" para que seja encontrada uma "solução de equilíbrio entre a Santoro e o CaixaBank que permita que as negociações sejam concluídas com êxito.

Desde a passada segunda-feira, 11 de Abril, que as acções do BPI se encontram suspensas por parte da CMVM da negociação em bolsa. A entidade reguladora liderada por Carlos Tavares justificou então a decisão com a necessidade de serem tornados públicos os termos de um eventual acordo entre o CaixaBank e a Santoro.

 

(notícia actualizada às 15:25 com mais informação)

 

 

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