Banca & Finanças BPI: Como um acordo demorou meses a fechar e acabou "sem efeito"

BPI: Como um acordo demorou meses a fechar e acabou "sem efeito"

Após meses de negociações, CaixaBank e Isabel dos Santos chegaram a ter um acordo para resolver o problema do BPI em Angola. Entendimento durou uma semana.
BPI: Como um acordo demorou meses a fechar e acabou "sem efeito"
Miguel Baltazar/Negócios
Maria João Gago 17 de abril de 2016 às 22:06

Fechado em cima do prazo-limite, o entendimento entre BPI, Caixabank e Isabel dos Santos fracassou uma semana depois.

UM PROBLEMA VISÍVEL EM DEZEMBRO DE 2014

A 16 de Dezembro de 2014, Angola passou a ser um problema para o BPI. Por decisão do BCE, o BPI ficou obrigado a reduzir a exposição a Angola. A data-limite para o fazer era a 10 de Abril de 2016.

 

OPA DO CAIXABANK SURPREENDE MERCADO

O CaixaBank anuncia uma OPA sobre o BPI em Fevereiro de 2015. Mas a empresária angolana chumbou a OPA ao inviabilizar a desblindagem de estatutos, a 17 de Junho. Propôs uma fusão do BPI com o BCP, sem consequências.

CISÃO GEROU ACORDO TRANSITÓRIO

No Verão de 2015, a gestão e os accionistas do BPI desenham uma solução apoiada pelo BCE e que gera acordo entre Isabel dos Santos e o CaixaBank: a cisão dos activos africanos do BPI (50,1% do BFA) noutra sociedade a deter pelos mesmos accionistas. Isabel dos Santos pôs como condição ficar com 34% da nova sociedade, a par do CaixaBank, mas sem lançar uma OPA. Mas a CMVM impôs a OPA e esta cisão morreu em Dezembro de 2015.

 

BPI AVANÇA COM PROJECTO DE CISÃO

Nos últimos dias de 2015, a gestão do BPI, com o apoio dos restantes accionistas, à excepção de Isabel dos Santos, avançou com a ideia da cisão simples. O projecto previa a transferência dos activos africanos para uma nova empresa, com divisão accionistas idêntica à do BPI.

 

UNITEL RESPONDE COM OFERTA SOBRE BFA

A 31 de Dezembro, a Unitel, operadora angolana controlada por Isabel dos Santos e dona de 49,9% do BFA, propôs comprar 10% desta instituição por 140 milhões. A gestão do BPI recusou a oferta, devido à oposição do BCE. A 5 de Fevereiro, Isabel dos Santos chumbou a cisão usando o poder de veto em AG.

 

SANTORO E CAIXABANK NEGOCEIAM DIVÓRCIO

No início de Março, sabe-se que a Santoro, "holding" de Isabel dos Santos que tem 18,6% do BPI, e o CaixaBank estão a negociar o seu divórcio no banco. Em causa está a venda da posição da empresária aos catalães e a compra, por Isabel dos Santos, da posição de controlo que o BPI tem no BFA. Depois de quase dois meses de negociações, com intervenção de António Costa, o acordo está quase fechado. Mas a 24 de Março, o CaixaBank anuncia a ruptura negocial.

 

ACORDO FECHADO NO ÚLTIMO MINUTO

Após a ruptura anunciada pelos catalães, os dois maiores accionistas do BPI voltaram a sentar-se à mesa das negociações. As conversações arrastaram-se até 10 de Abril, último dia do prazo dado pelo BCE. Às 23:00 desse domingo, o BPI anunciou finalmente que "encerraram com sucesso as negociações", sem revelar os pormenores do acordo.

 

ENTENDIMENTO MORRE AO FIM DE UMA SEMANA

Neste sábado, Isabel dos Santos anunciou ainda haver "elementos pendentes que precisam de ser resolvidos" para um acordo, manifestando "esperança de que as negociações em curso serão concluídas com êxito". No domingo, o BPI pôs fim ao acordo. "Ficou sem efeito o entendimento", anunciou o banco, justificando a decisão com o facto de, já depois de 10 de Abril, a empresária ter feito várias exigências, uma das quais o BPI entendeu não poder aceitar. Isto porque "iria desfigurar gravemente a solução que fora acordada".




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