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BPI perde 9% com aumento de capital e está abaixo do preço de subscrição

As acções do BPI valem hoje menos de 0,50 euros. É mais barato comprar estas acções no mercado do que subscrever os direitos que vão permitir adquirir as novas acções no aumento de capital. O que pode afastar pequenos investidores e acabar por reforçar a posição de grandes accionistas.

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O BPI perdeu mais de 9% em três sessões. Desde que começaram a negociar os direitos que permitem participar no aumento de capital do banco, as acções têm vindo a desvalorizar-se.

A sessão de hoje não foi excepção. As acções do banco presidido por Fernando Ulrich (na foto) desceram abaixo dos 0,50 euros, o preço a que vão ser emitidas as novas acções no aumento de capital.

Cada acção do BPI encerrou hoje nos 0,494 euros, após o deslize diário de 4,08%. Numa sessão em que as quedas tomaram contas dos mercados, o BPI perdeu mais que o índice PSI-20 e que o BES (perdeu 1,62%) mas cedeu menos que o BCP (queda de 5,21%).

Durante o dia, os títulos do banco chegaram a descer aos 0,485 euros, o preço mais baixo desde 15 de Junho.

As acções do BPI acabaram por descer abaixo do preço de subscrição, já que o valor a que os novos títulos vão ser subscritos correspondia a um reduzido desconto em relação ao preço a que cotavam no dia do anúncio. Ao terceiro dia desde que os direitos estão a ser transaccionados, o BPI compensou esse desconto e desceu abaixo do preço de subscrição.

Direitos ficam inalterados

Já os direitos de subscrição do BPI, aqueles que vão permitir participar no aumento de capital pois dão direito a comprar as novas acções do banco, encerraram inalterados nos 0,002 euros, o valor de fecho de sexta-feira. Ainda assim, chegaram a ser trocados por 0,001 euros. Com as acções abaixo de 0,50 euros, os direitos de subscrição têm um valor teórico nulo.

Neste momento, um investidor pode comprar acções do BPI abaixo de 0,50 euros, pelo que não será racional comprar direitos de subscrição para deter acções. Isto porque o investidor estará a gastar mais dinheiro do que se comprasse directamente os títulos já cotados em bolsa. Ainda assim, não é uma situação tão óbvia, já que os investidores podem comprar as acções a este preço e as acções podem acabar por ganhar valor e superar os 0,50 euros novamente.

Grandes accionistas podem reforçar

A questão é que o facto de as acções estarem a cotar abaixo do valor das novas acções pode afastar os pequenos investidos do aumento de capital, como já tinha escrito o Negócios. Ainda hoje, o operador da Orey iTrade, José Novo, disse à Bloomberg isso mesmo: este facto “poderá afastar alguns pequenos investidores do aumento de capital”.

Contudo, salienta José Novo, “os grandes accionistas do BPI devem subscrever as novas acções”. Não havendo instituições colocadoras que garantam o sucesso do aumento de capital (instituições que asseguram que todas as novas acções a emitir são subscritas), se não houver uma compra por parte de pequenos accionistas, poderão vir a ser os grandes accionistas a reforçar a sua posição.

O La Caixa e Isabel dos Santos já se comprometeram a acompanhar o aumento de capital do banco português. Ou seja, se os pequenos investidores não acompanharem a operação, poderá ter lugar um reforço da posição destes accionistas, de modo a que todo o montante que o banco pretende seja todo colocado. Neste momento, o La Caixa detém 39,5% do BPI, enquanto a Santoro, de Isabel dos Santos, é dona de 19,4% do banco.

O aumento de capital do BPI é uma das formas que o banco encontrou para cumprir as regras de capitalização impostas pela reguladora europeia. Com esta operação, o banco liderado por Ulrich pretende reforçar o seu capital em 200 milhões de euros.

Esse reforço que é feito por esta via com a emissão de novas acções. Novas acções que são adquiridas pela venda de direitos de subscrição. Tanto as antigas acções como os direitos seguem a cotar, neste momento, em bolsa.

Novas acções a 13 de Agosto

Por cada direito de subscrição, será possível subscrever 0,406924 novas acções do BPI. Cada acção será emitida a 0,50 euros. A cada momento, é possível comparar o preço de uma acção no mercado secundário com o custo de comprar uma das novas acções que deverão ser emitida a 13 de Agosto, de acordo com a tabela que o BPI disponibiliza no seu site.

Os direitos de subscrição do BPI vão negociar em bolsa até 30 de Julho, sendo que o período de exercício, que também hoje arrancou, só termina a 3 de Agosto. As ordens de subscrição das novas acções podem ser revogadas até 30 de Julho.

O BPI estima que o apuramento dos resultados da oferta ocorra no dia 7 de Agosto, prevendo-se que as novas acções possam vir a ser admitidas à negociação no dia 13 de Agosto.

Nessa altura, o banco português passará a ter, caso o aumento de capital seja todo subscrito, um capital composto por 1,39 mil milhões de acções.

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