Banca & Finanças Bruxelas começou a "monitorizar" o BES a 30 de Julho mas foi notificada por Portugal a 3 de Agosto

Bruxelas começou a "monitorizar" o BES a 30 de Julho mas foi notificada por Portugal a 3 de Agosto

Fonte oficial da Comissão Europeia confirma que começou a monitorizar a situação do BES no dia 30 de Julho, mas garante que o pedido de intervenção pelas autoridades nacionais só chegou no dia 3 de Agosto.
Bruxelas começou a "monitorizar" o BES a 30 de Julho mas foi notificada por Portugal a 3 de Agosto
Reuters
Rui Peres Jorge 08 de outubro de 2014 às 11:34

A Comissão Europeia começou a monitorizar a situação no BES na quarta-feira, dia 30 de Julho, após a apresentação de resultados negativos pelo banco, mas fonte oficial da Direcção-geral da Concorrência nega que tenha recebido uma notificação das autoridades portuguesas para intervenção nessa data.

 

A explicação de Bruxelas resulta do facto de, no sítio da Comissão, o registo do processo de intervenção no BES datar de 30 de Julho, quarta-feira. No entanto, garante a mesma fonte ao Negócios, essa trata-se de uma "data de registo administrativo". E para Bruxelas, a data da notificação pelas autoridades portuguesas nem sequer é a sexta-feira, dia 1 de Agosto, dia em segundo o Banco de Portugal que a intervenção foi decidida, mas somente o dia 3 de Agosto, domingo, quando o modelo de resolução já estava desenhado – após um fim-de-semana de trabalho entre o Banco de Portugal e os técnicos de Bruxelas e do BCE.

 

"A data de 30 de Julho que aparece no nosso sítio é uma data de registo administrativo: de facto, no dia 30 de Julho, a Comissão começou a monitorizar a situação no BES, após o banco ter anunciado perdas nesse dia", escreveu por e-mail fonte oficial da Direcção-geral da Concorrência, acrescentando que "a notificação de ajuda de Estado e a comunicação do plano de resolução pelas autoridades portuguesas à Comissão aconteceu a 3 de Agosto".

 

O Negócios pediu uma clarificação à Comissão sobre se o processo de monitorização teve início por iniciativa própria nessa quarta-feira ou por algum pedido de Lisboa, mas não obteve resposta de imediato.

 

Os títulos do BES desvalorizaram 66% em bolsa entre a quarta-feira e sexta-feira, dia 1 de Agosto, a data de suspensão da transacção dos títulos em bolsa e em que, segundo Carlos Costa, a intervenção no banco foi decidida, após uma reunião do BCE que excluiu o BES do acesso ao financiamento de Frankfurt.

 

O facto de Bruxelas ter começado a monitorizar a situação no BES na quarta-feira, e de na quinta-feira o Governo ter alterado em Conselho de Ministros diplomas legais necessários para uma intervenção no banco, criou o risco de existência de informação privilegiada que possa ter sido usada por alguns investidores.

 

Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal está hoje no Parlamento a explicar a saída de Vítor Bento do Novo Banco e reiterou que a decisão de intervenção só foi tomada na sexta-feira. Maria Luis Albuquerque, a ministra das Finanças, também vai hoje ao Parlamento onde deverá explicar a sua versão dos acontecimentos.




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