Banca & Finanças Caixa lucra 126 milhões no primeiro trimestre

Caixa lucra 126 milhões no primeiro trimestre

O banco público apresentou os resultados trimestrais esta quinta-feira, depois de ter anunciado que irá distribuir dividendos de 200 milhões relativos ao exercício de 2018.
Caixa lucra 126 milhões no primeiro trimestre
Manuel de Almeida/Lusa
Rafaela Burd Relvas 02 de maio de 2019 às 17:15
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) fechou o primeiro trimestre do ano com um resultado líquido de 126,1 milhões de euros, valor que representa um aumento de 85% face aos lucros de 68 milhões registados em igual período do ano passado. A ajudar as contas do banco público esteve uma mais-valia de 50 milhões obtida com a venda do edifício na Rua do Ouro.

"Esta é uma subida significativa face ao trimestre homólogo de 2018. A Caixa também consegue registar uma subida de dois dígitos do seu negócio "core", à semelhança do que fez no ano passado. Todos sabemos como isso é difícil no contexto atual, com taxas de juro em níveis mínimos", afirmou o presidente executivo da instituição, Paulo Macedo, durante a apresentação de resultados que decorre esta quinta-feira, 2 de maio.

O primeiro trimestre ficou marcado por uma série de eventos não recorrentes que tiveram impacto sobre as contas. A "contabilização de todos os custos regulatórios de 2019 (incluindo a contribuição especial sobre o setor bancário)" teve um impacto negativo de 60 milhões de euros sobre o resultado líquido, enquanto a mais-valia com a venda da antiga sede, na Baixa de Lisboa, teve um impacto positivo de 36 milhões no resultado líquido. A Caixa utilizou ainda 55 milhões em provisões, registadas no final de 2017, para programas de redução de pessoal, que o banco público diz não ter tido impacto no resultado líquido.

Feitas as contas, sem os efeitos destes eventos extraordinários, o resultado da Caixa seria de 149 milhões de euros, acima do resultado líquido que foi reportado.

A margem financeira reduziu-se em 2,8% para 283,4 milhões de euros, uma quebra justificada pelo contexto de taxas de juro em mínimos "e o seu impacto na carteira de crédito e de ativos financeiros".

A Caixa obteve mais 4,8% em serviços e comissões, que totalizaram 120,2 milhões. Já os custos de estrutura reduziram-se em 5,3% para os 277,7 milhões.

Em sentido contrário, os resultados em operações financeiras ficaram 13,4 milhões abaixo do que tinha sido registado no primeiro trimestre do ano passado, fixando-se em 13,8 milhões no final de março deste ano, um resultado que foi "condicionado pela evolução dos derivados de cobertura de taxa de juro, dada a evolução das taxas de longo prazo".

O produto bancário acabou, assim, por aumentar em mais de 4% para 455,9 milhões de euros.

Depósitos e novo crédito crescem, malparado cai

No que diz respeito ao balanço do banco, tanto os depósitos como os novos créditos aumentaram, ao mesmo tempo que o rácio de crédito malparado está a reduzir-se.

Os depósitos de clientes aumentaram 3,3 mil milhões de euros (ou 5,4%) desde março do ano passado, fixando-se em 64,7 mil milhões.

Já a carteira de crédito a clientes totalizou 50,9 mil milhões em termos líquidos, o que corresponde a uma redução de 4,6% face ao final de março de 2018, explicada, em parte, pela venda de carteiras de malparado. A Caixa dá conta de "uma forte progressão" da nova produção de crédito, que "não foi suficiente para contrariar a redução da carteira, fortemente influenciada pelas vendas de [non performing loans] e pela desalavancagem verificada em alguns segmentos de clientes, nomeadamente setor público e grandes empresas", pode ler-se no relatório trimestral.

A justificar a maior concessão de crédito está o aumento da procura pelo crédito à habitação. Ao todo, foram contratadas 4.421 operações de crédito à habitação (mais 1.368 do que no ano passado), que totalizaram 449 milhões, o que corresponde a um aumento de 58,3% face a março de 2018.

Ao mesmo tempo, a Caixa reduziu o montante de crédito malparado em 2,4 mil milhões face a março do ano passado. O rácio de malparado fixou-se, assim, em 7,8% no primeiro trimestre, aproximando-se da meta de menos de 7% definida pela administração para 2019.

O banco melhorou ainda o rácio de capital CET 1, de 13,6% para 15%.

Notícia atualizada pela última vez às 18:09 pela última vez.



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