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Carlos Costa: "Quem pensa que pode ter almoços grátis está enganado"

Ou a banca concede crédito com menos exigências, e há menos segurança, ou aperta os critérios e a segurança é garantida. As pessoas têm de saber estes dilemas, diz o governador do Banco de Portugal.

# Porque Sobe - Apesar da conhecida divergência com o ministro das Finanças, Mário Centeno, e de uma reforma da supervisão financeira que está a ser cozinhada de modo a tirar poderes ao banco central, Carlos Costa tem-se segurado no poder e até subiu posições. O dossiê Novo Banco ficou fechado com a venda ao Lone Star, os lesados do BES já têm solução e o banco tem-se mostrado atento à escalada de preços no imobiliário, impondo regras mais apertadas aos bancos para a concessão de crédito.
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 29 de Novembro de 2018 às 10:51

A sociedade tem de saber o que quer da banca: se mais crédito, com menor segurança e mais possibilidade de ser chamada a intervir, ou se menos crédito, mas com mais segurança. O dilema foi deixado pelo governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, no Fórum Banca, evento organizado pelo Jornal Económico e pela PwC em Lisboa.

 

"Um sistema financeiro mais propício a conceder crédito é mais propício a ter acidentes. E como os acidentes não podem comprometer a estabilidade, a sociedade tem de saber se está disponível para fornecer redes de segurança", começou por dizer o governador.

 

Carlos Costa afirmou mesmo que "quem pensa que pode ter almoços grátis está enganado". "Ou temos uma situação em que, em nome da segurança, a função do crédito fica restringida, com segurança maior, ou temos uma situação em que, em nome da necessidade de promover crédito e o desenvolvimento, está a segurança em causa, e alguém vai ter de assegurar que o sistema não colapsa, seja o contribuinte ou o sistema bancário", continuou o líder do supervisor da banca.

 

No seu discurso, Carlos Costa defendeu também o papel do Banco de Portugal, que foi alvo de muitas críticas – incluindo no campo político – pelas intervenções na banca, como as resoluções do Banco Espírito Santo, em 2014, e do Banif, um ano depois. Recusou que as decisões tenham resultado de livre arbítrio do supervisor.

 

"As decisões não são dos supervisores", defendeu o governador. Há um "quadro jurídico" que foi decidido por outros. "Se não se deram conta das implicações, é lamentável, mas não podem os supervisores ficar com a responsabilidade de implementação da lei", acrescentou Carlos Costa. 


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