Banca & Finanças Carlos Rodrigues: “Os contribuintes vão pagar [a resolução do BES], pois o Estado vai receber menos impostos”

Carlos Rodrigues: “Os contribuintes vão pagar [a resolução do BES], pois o Estado vai receber menos impostos”

“Os contribuintes vão pagar e bem [a resolução do BES], pois o Estado vai receber menos impostos da banca nos próximos anos”, avisa o presidente do BIG. Em entrevista ao Público, Carlos Rodrigues critica o facto de a factura ter ficado para a banca: “se aplicar esta tese a todos os sectores da economia, vai acabar com a economia”.
Carlos Rodrigues: “Os contribuintes vão pagar [a resolução do BES], pois o Estado vai receber menos impostos”
Negócios 24 de agosto de 2015 às 10:09

A resolução do Banco Espírito Santo vai custar dinheiro aos contribuintes, apesar de os prejuízos da venda do Novo Banco, que herdou os activos saudáveis do BES, irem ser assumidos pela banca através do Fundo de Resolução, defende Carlos Rodrigues.

 

"Vir agora dizer que os contribuintes não vão pagar pura e simplesmente não é verdade. Os contribuintes vão pagar e bem [a resolução do BES], pois o Estado vai receber menos impostos da banca nos próximos anos", defende o presidente do BIG em entrevista ao Público, esta segunda-feira, 24 de Agosto.

 

O banqueiro critica o mecanismo da resolução por não "favorecer novos investimentos no sector". E compara os problemas na banca à realidade das fábricas de sapatos. "Se existissem 50 fábricas de sapatos em Portugal e dez delas adoptassem más práticas ou seguissem expansões arriscadas que as levassem à falência, seria justo pôr as restantes 40 a pagar os desmandos dessas unidades? Não me parece".

 

Carlos Rodrigues usa este exemplo para ilustrar o impacto do mecanismo de resolução nos contribuintes que este modelo de financiamento de crises bancárias pretende poupar, como refere a legislação comunitária. E sustentar a tese de que afasta investidores da banca.

 

"As outras fábricas também são contribuintes", sublinha. "E se aplicar esta tese a todos os sectores da economia vai acabar com a economia, pois sem concorrência não há hipótese de se criarem unidades competitivas. (…) As autoridades tomam as decisões em nome dos bancos e depois exigem-lhes altos níveis de capital. É impossível. Só um investidor imprudente, neste enquadramento, investirá na banca por muito tempo", lamenta o banqueiro.



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