Banca & Finanças Carlos Tavares baixa em 79% lucro do Montepio apresentado por Félix Morgado

Carlos Tavares baixa em 79% lucro do Montepio apresentado por Félix Morgado

Em vez de 30,1 milhões de euros, o Montepio obteve um lucro de 6,4 milhões em 2017. A certificação legal de contas e a gestão de Carlos Tavares reviram em alta as imparidades para crédito. Contas anteriores não aplicavam norma contabilística aplicável a Angola.
Carlos Tavares baixa em 79% lucro do Montepio apresentado por Félix Morgado
Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro 15 de maio de 2018 às 18:00

Foi um corte de 79% aquele que Carlos Tavares impôs aos resultados de 2017 da Caixa Económica Montepio Geral. O lucro foi de 6,4 milhões de euros, quando a primeira apresentação de contas, feitas pelo antecessor José Félix Morgado, apontava para os 30,1 milhões.

 

O lucro é revisto em baixa, na sequência do trabalho de certificação de contas, feita pela KPMG, e da análise levada a cabo pela administração presidida por Carlos Tavares. Em 2016, a instituição financeira, detida em exclusivo pela associação mutualista, tinha reportado perdas de 86,5 milhões. Há uma inversão, mas em muito menor dimensão.

 

Em causa está, sobretudo, uma revisão em alta das imparidades para crédito. A rubrica que pretende precaver eventuais perdas em empréstimos concedidos tinha sido fixada em 138 milhões de euros pela anterior equipa. Nas contas consolidadas divulgadas esta terça-feira, a imparidade para crédito é revista em alta em 16%, fixando-se em 160,7 milhões.

 

"É um ajustamento das imparidades, que se deveu a avaliação que fizemos em conjunto com a comissão de auditoria e com os auditores, de alguns dossiês de crédito, numa óptica de prudência no provisionamento nessas situações", assumiu Carlos Tavares, num encontro com jornalistas esta terça-feira, 15 de Maio.

 

Segundo o presidente do Montepio, não há imparidades em novos créditos. "São os mesmos casos com níveis de imparidades diferentes", frisou.

 

Houve também mexidas ligeiras nas imparidades de outros activos e outras provisões, mas de menor importância.

 

Da mesma forma, a margem financeira e as comissões foram ajustadas nas contas certificadas, em relação às contas divulgadas por Félix Morgado em Fevereiro, que não estavam certificadas, e que foram reportadas antes de ser destituído. A margem ficou em 266,2 milhões, face aos 263,9 milhões divulgados em Fevereiro. Já as comissões líquidas passaram de 117 milhões para 119,8 milhões.

 

Em resultado, o produto bancário ficou praticamente inalterado nos 505,3 milhões.

 

Angola tira 6 milhões

 

Outra das mudanças que ocorreu nos resultados de operações em descontinuação, onde se encontram as participações no Finibanco Angola e no moçambicano Banco Terra. Estas operações tinham gerado um ganho de 10,4 milhões de euros em 2017, segundo as contas de Félix Morgado, que significava uma inversão face às perdas de 7,2 milhões do ano anterior.

 

Contudo, na certificação de contas, os resultados de operações em descontinuação passou a apresentar um ganho de apenas 4,1 milhões. Esta diferença de cerca de 6 milhões deve-se ao facto de, na primeira versão, não ter sido aplicada a norma contabilística relativa a economias hiperinflacionadas, onde se inclui o mercado angolano.

 

Carlos Tavares entrou em funções em Março, por escolha da Montepio Geral – Associação Mutualista.

(Correcção: Corrige primeiro parágrafo. Os resultados apresentados agora foram de 6,4 milhões e anteriormente tinha sido de 30,1 milhões de euros)




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