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Cartas-conforto à Venezuela assinadas por Salgado não seriam suficientes como garantia

Ana Rita Barosa deu uma opinião negativa sobre as cartas do BES que garantiam o pagamento de dívida do GES. Disse isso a Salgado. Mas não podia fazer mais que isso.

Bruno Simão/Negócios
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Não é só o Banco de Portugal que questiona os termos das cartas de conforto que garantiam a entidades da Venezuela que o Banco Espírito Santo iria assegurar o reembolso da dívida que estas tinham à Espírito Santo International. Rita Barosa, que foi directora e assessora do conselho de administração do BES, também tem a mesma opinião.

 

As cartas tinham, na óptica de Rita Barosa, "termos financeiros muito básicos". "Para um investidor institucional, não ia servir os propósitos de quem queria qualquer conforto ou garantia", indicou a antiga funcionária do BES, em declarações aos deputados na comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES.

 

"A única coisa que me ocorreu é que, olhando para as cartas, se fosse um institucional, aquelas cartas não me diriam muita coisa. O que dizem é que o banco irá, vagamente, colocar em mercado secundário [a dívida]. Na minha perspectiva técnica, e com experiência que tinha, se fosse um investidor institucional, aquela carta para mim não seria suficiente, se pretendesse uma garantia", acrescentou ainda a directora do BES que, durante dois meses, foi secretária de Estado da Administração Local.

 

Essa terá sido a opinião que Barosa transmitiu a Ricardo Salgado quando foi questionada sobre aquelas cartas, que o BES quis escrever às entidades venezuelanas que queriam o pagamento antecipado da dívida da ESI. O BES assinou cartas-conforto em 9 de Junho, pela mão de Salgado e de José Manuel Espírito Santo. Cartas que acabaram por causar perdas de mais de 200 milhões de euros nos resultados do primeiro semestre do ano passado.

 

Ana Rita Barosa, que foi directora do BES e indicada para administradora (que nunca se concretizou), garantiu que não produziu as referidas cartas, deu apenas uma opinião técnica sobre as mesmas. Apesar de tal opinião ser negativa, a directora do BES disse aos deputados que não podia fazer mais nada, dado que transmitiu essa ideia ao CEO do banco (Ricardo Salgado).

 

Por ter conhecimento dessas cartas, Rita Barosa falou com a administração de Vítor Bento, que sucedeu a Salgado, sobre estas cartas que causaram perdas ao BES, contribuindo para os prejuízos históricos de 3.577 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano.

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