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CDS: "A Oliver Wyman não sabe para quem trabalha nem quem lhe paga"

Há ou não conflito de interesse na ligação entre a consultora Oliver Wyman e o Banif? O sócio Pinto Ribeiro recusa que exista, por ter sido pago tanto pelo Banif como pelo regulador.

Carolina Cravinho
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"A Oliver Wyman não sabe para quem trabalha nem quem lhe paga". Foi apenas após esta consideração do deputado do CDS António Carlos Monteiro que o sócio da Oliver Wyman, consultora que trabalhou em torno do Banif, explicou como aquela empresa era remunerada pelo seu trabalho em torno do Banif.

 

Foram várias as questões na audição desta terça-feira, 3 de Maio, na comissão de inquérito ao Banif sobre como é que foi paga a empresa, uma forma de tentar perceber se efectivamente havia, ou não, conflito de interesse na contratação da Oliver Wyman, que trabalhava tanto para o Ministério das Finanças como para o Banco de Portugal.

 

Desde Maio de 2012 que a consultora foi contratada pelo Ministério das Finanças para acompanhar a recepção dos auxílios estatais pelos vários bancos (Banif, BCP, CGD e BPI). Mas não era o Tesouro a pagar: "A relação contratual com o Ministério das Finanças era indirecta, via Rothschild". Mas também não era o banco a remunerar a Oliver Wyman: "As facturas, em último caso, [eram pagas] pelos bancos objecto de assessoria", esclareceu.

 

"A Oliver Wyman foi contratada pela Rothschild, facturava à Rothschild, a factura global era validada ao Ministério das Finanças e depois entregue [aos bancos]", explicou, após várias perguntas do deputado centrista, o sócio da consultora, Pinto Ribeiro.

 

Segundo o sócio da Oliver Wyman, este modelo de pagamento do banco foi "definido e acordado pelo Ministério das Finanças". Sobre até quando durou o contrato, Pinto Ribeiro não sabe; diz apenas que a partir de Novembro de 2015 deixou de trabalhar para o Ministério sobre o acompanhamento da recapitalização recebida na altura da troika.

 

Contudo, segundo o líder do CDS – e já o PSD tinha assinalado anteriormente -, há um conflito de interesses já que estava a ser pago pelo banco ("um jogador") e ao mesmo tempo pelo Banco de Portugal ("um árbitro"), que contratou a Oliver Wyman para preparar cenários de contingência para o banco (alguns dos quais contraditórios aos interesses da gestão do banco).

"Estou em total desacordo com essa interpretação", repetiu Pinto Ribeiro, no sentido do que foi dizendo ao longo da sua audição. 

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