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Centeno prevê concentração na banca portuguesa e está atento a Isabel dos Santos

O ministro das Finanças considera que se deverá assistir a uma maior consolidação no setor bancário português. Em entrevista à Reuters, Mário Centeno admite que o país possa ter alcançado um excedente orçamental no ano passado e indica que o Governo acompanha de perto as alegações contra Isabel dos Santos.

A consolidação alcançada pelo ministério liderado por Mário Centeno tem suportado a confiança dos investidores na dívida nacional.
Tiago Petinga/Lusa
Negócios jng@negocios.pt 28 de Fevereiro de 2020 às 16:46
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O setor bancário em Portugal deverá registar uma tendência de concentração, prevê o ministro das Finanças, Mário Centeno, em entrevista à Reuters divulgada esta sexta-feira, 28 de fevereiro.

"Ao contrário de muitos outros mercados da Europa, o nosso setor bancário conseguiu atrair investimentos além-fronteiras de muitas jurisdições ...  nos últimos dois anos", disse, aludindo a países como a China, Angola, EUA e Espanha. "Para o futuro [a concentração bancária] continuará a acontecer, é a minha opinião", rematou.

Esta previsão do líder do Eurogrupo surge uma semana depois de a Comissão de Economia Finanças e Assuntos Monetários (ECON) do Parlamento Europeu ter aprovado um relatório sobre união bancária em que é pedido à Comissão Europeia que avalie se se justifica insistir no processo de concentração de bancos preconizado por Bruxelas.

Centeno aproveitou ainda para elogiar a redução do malparado pelo Novo Banco, defendendo que, face a esta evolução,  "é natural que a avaliação do banco melhore e o mercado sinta algum apetite. Para mim, isso é natural".

Centeno fecha-se em copas sobre Eurogrupo
O ministro das Finanças não abriu o jogo quanto à recandidatura à liderança do Eurogrupo, limitando-se a dizer que "em princípio" é a favor de apenas um mandato, mas indicando não ter ainda tomado uma decisão sobre se se irá recandidatar. O mandato finda em julho deste ano.

A possibilidade de que Centeno abandone o Governo e assuma o cargo de governador do Banco de Portugal tem vindo a ser referida publicamente nos últimos meses.

Governo atento a caso de Isabel dos Santos

O governante indicou que o Governo acompanha de forma cuidadosa e atenta as alegações contra a empresária angolana Isabel dos Santos, filha do ex-presidente de Angola José Eduardo dos Santos.

Isabel dos Santos colocou à venda várias participações em empresas portuguesas após investigações sobre alegadas irregularidades financeiras, num caso conhecido por Luanda Leaks. A empresária angolana já chegou a acordo com os espanhóis do Abanca para a venda da sua participação de 42,5% no EuroBic e pretende alienar a posição de 65% que detém no capital da Efacec.

"É um assunto muito sério e não queremos que as preocupações com o setor financeiro em Portugal sejam reabertas após um período tão difícil de tempo que passámos recentemente", salientou Centeno.


Nesse sentido, o ministro revela ter pedido "a todos os supervisores em Portugal que me fornecessem todas as informações, estamos a trabalhar juntos para garantir que não há falhas no processo, nas instituições, empresas e no setor financeiro portugueses". "Vamos agir de acordo, o que envolve, é claro, uma dimensão judicial, se for esse o caso", concluiu.


"Estamos a monitorizar de perto os processos de mudança de propriedade desses investimentos, para que sejam transparentes, eficazes e não tenham impacto negativo na nossa economia", afirmou Centeno.


Excedente orçamental em 2019 é uma possibilidade

Centeno admitiu que Portugal poderá ter alcançado o primeiro excedente orçamental após o 25 de abril de 1974 no ano passado, um ano antes do que o Executivo previa. Essa possibilidade ganhou força com o crescimento mais robusto no último trimestre de 2019.

"É possível [ter um excedente já em 2019]. A verdade é que no quarto trimestre a economia teve um desempenho muito, muito bom", disse o ministro das Finanças.

Esta sexta-feira, o Instituto Nacional de Estatística (INE) reviu o crescimento económico relativo ao quarto trimestre, passando para 0,7% face a 0,6% da sua estimativa rápida, colocando a expansão da economia portuguesa no ano passado em 2,2%.

"Houve uma recuperação nas exportações, o investimento também manteve o ritmo muito alto, o mercado de trabalho continua a apresentar ótimos resultados", destacou Centeno. "Todos esses números são adicionados a um cenário que possibilita que isso [excedente em 2019] ocorra".

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