Banca & Finanças Centeno volta a contradizer Santander no empréstimo pós-resolução do Banif

Centeno volta a contradizer Santander no empréstimo pós-resolução do Banif

O Estado ficou sem 1,8 mil milhões de euros de almofada de capital com a resolução do Banif e precisou daquele dinheiro. Foi o Santander que o emprestou. Mas isso não foi um ponto definido na resolução, garante Centeno. O que vai contra o que disse o Santander Totta.
Centeno volta a contradizer Santander no empréstimo pós-resolução do Banif
Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro 19 de abril de 2016 às 12:39

O ministro das Finanças nega que o financiamento que o Santander concedeu ao Estado após a resolução do Banif tenha sido acordado no âmbito daquela operação realizada a 20 de Dezembro de 2015, quando o banco foi vendido à instituição de capitais espanhóis.

 

"Havia necessidade de repor o ‘cash buffer’ [almofada de capital] que tinha sido afectado", explicou Mário Centeno na sua segunda audição à comissão de inquérito ao Banif nesta terça-feira, 19 de Abril.

 

Na resolução do banco sediado no Funchal, o Estado gastou, através do Orçamento do Estado, 1,8 mil milhões de euros. Perto de 400 milhões de euros foram emprestados ao Fundo de Resolução, que ficou responsável por assegurar o resto da injecção estatal necessária após a injecção. Isto em Dezembro de 2015. Em Fevereiro, o Santander dá um empréstimo, também de 1,8 mil milhões de euros, ao Banif, como noticiou o Negócios na altura.

 

"Houve uma colocação de dívida, feita à taxa de mercado", disse o governante, acrescentando que tinha sido "negociada posteriormente à resolução". Questionado pelo deputado social-democrata Marques Guedes sobre se tinha sido uma contrapartida, Centeno rejeitou. "Não foi uma contrapartida". O ministro negou que esta emissão de dívida do Estado, feita com o Santander como destinatário e não um leilão com vários compradores, tenha sido negociada na resolução.

 

Na altura, o Santander tinha uma "liquidez acrescida, que tinha que ver com a operação anterior", segundo Centeno. E o ministro diz que o Estado precisava daquele montante porque tinha sido precisamente naquilo que tinha sido afectado em Dezembro.

 

Totta defende que estava acordado desde Dezembro

 

"No âmbito das medidas de capitalização para correcção do balanço do Banif imediatamente anteriores à medida de resolução e à venda de activos e passivos, foi acordado com o Santander Totta a aquisição por este banco, em data posterior, de títulos de dívida pública sob a forma de MTN ("medium term notes") no montante de 1.766 milhões de euros então emitidos pelo IGCP", indicou o Banco Santander Totta em comunicado no dia 25 de Fevereiro, após a notícia do Negócios que dava conta da operação.

 

Ou seja, segundo o banco, a compra de dívida estava definida em Dezembro. De acordo com o ministro, a aquisição foi uma consequência da resolução mas não ficou definido logo no momento.

 




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