Banca & Finanças CEO do Deutsche Bank: "Nas últimas duas décadas" o balanço do banco nunca foi "tão estável"

CEO do Deutsche Bank: "Nas últimas duas décadas" o balanço do banco nunca foi "tão estável"

"O Deutsche Bank tem muitos problemas, mas a liquidez não é um deles". esta é a percepção dos analistas sobre o maior banco da Europa que está sob pressão e novo a arrastar as bolsas. O CEO escreveu aos trabalhadores.
CEO do Deutsche Bank: "Nas últimas duas décadas" o balanço do banco nunca foi "tão estável"
reuters
Sara Antunes 30 de setembro de 2016 às 12:07

O Deutsche Bank está sob forte pressão, com as acções a afundarem depois de várias notícias que apontam para problemas na instituição. O rastilho foi ateado com a divulgação da coima recorde de 14 mil milhões de dólares (12,5 mil milhões de euros) por parte do Departamento do Justiça dos EUA, no âmbito de processos relacionados com o "subprime", que levou à crise financeira de 2008.

 

Depois deste anúncio a especulação em torno da instituição ganhou uma dimensão maior, com alguma imprensa a apontar para a possibilidade do Governo alemão ter de intervir, o que tem sido desmentido por vários responsáveis. Um deles foi o próprio presidente executivo, que rejeitou que estivesse a ser preparado qualquer aumento de capital ou que tivesse sido pedido que o Estado ajudasse a instituição.

 

Na quinta-feira à noite houve mais uma notícia que fez soar os alarmes: vários fundos que recorrem ao Deutsche Bank para fazer a negociação de contratos derivados, usando-o como contraparte na garantia das transacções, estão a retirar operações e fundos que têm alocados no banco alemão, um sinal de receios crescentes, avançou a Bloomberg. O fecho destas posições e o fim destes contratos surge como uma forma de estes fundos se protegerem de algum problema mais sério no maior banco da Europa.

 

Esta notícia provocou uma nova queda acentuada das acções do banco, que estão a descer 5,10% para 10,32 euros, tendo chegado a deslizar um máximo de 8,98% para 9,898 euros, o que corresponde a um novo mínimo histórico.



"O nosso trabalho é assegurar que esta percepção distorcida não tem um impacto forte no dia-a-dia"

Esta sexta-feira, 30 de Setembro, os funcionários do Deutsche Bank receberam uma comunicação interna do presidente executivo John Cryan, onde o responsável realça que a instituição diminuiu a exposição a riscos nos últimos anos, salientando que "nas últimas duas décadas" o balanço do banco nunca foi "tão estável".

 

John Cryan destaca na nota aos funcionários que nos últimos tempos o banco tem sido alvo de "especulação dos media" e que o "trabalho [do Deutsche Bank] é assegurar que esta percepção distorcida não tem um impacto forte no negócio do dia-a-dia", de acordo com a Bloomberg.

 

"A confiança é a chave do negócio da banca", realçou, considerando que "há forças no mercado que querem minar a confiança" no maior banco da Europa.

 

O problema do Deutsche Bank é de "confiança"

Os analistas, contactados pela Bloomberg, realçam que o banco não tem problemas de liquidez, sendo capaz de lidar com mais dois meses de stress, sem que isso afecte efectivamente o banco. O problema, dizem, é de "confiança".

 

"O Deutsche Bank tem muitos problemas, mas a liquidez não é um deles." Quem o diz é o analista da Autonomous Research, Stuart Graham, à Bloomberg.

 

"Não é uma questão de liquidez disponível, pelo menos por agora, mas de danos irreversíveis na confiança no banco", acrescentam os analistas do BNP Paribas numa nota divulgada esta sexta-feira e a que a Bloomberg teve acesso. "Experiências passadas mostram que a confiança dos clientes pode desaparecer depressa e, passado um certo ponto, as reservas de liquidez podem depressa ser esmagadas", acrescentam.

 




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