Banca & Finanças CGD: Cabral dos Santos nega ter ido "bater à porta" de Berardo

CGD: Cabral dos Santos nega ter ido "bater à porta" de Berardo

O ex-diretor de grandes empresas da CGD contraria a versão de Joe Berardo de que terá sido Cabral dos Santos a abordar o comendador no financiamento da compra de ações do BCP.
CGD: Cabral dos Santos nega ter ido "bater à porta" de Berardo
Lusa
Rita Atalaia 17 de junho de 2019 às 15:48

Cabral dos Santos, ex-diretor de grandes empresas da Caixa Geral de Depósitos (CGD), contraria Joe Berardo e diz não ter ido "bater à porta" do comendador enquanto interlocutor do banco público para a concessão de créditos para compra de ações do BCP.

 

Na audição de Joe Berardo, "o comendador disse que foi a CGD que lhe foi bater à porta a oferecer 350 milhões de euros", afirma Cabral dos Santos na comissão parlamentar de inquérito, esta segunda-feira. Questionado sobre quem tinha sido o administrador que o tinha abordado, o empresário "respondeu o meu nome".

 

O ex-diretor da CGD diz ter encontrado no arquivo da CGD uma carta, com data de 10 de novembro de 2006, da Fundação Berardo, assinada por Berardo e dirigida a Carlos Santos Ferreira, então presidente do banco estatal. O assunto desta carta era "Concessão de linha de crédito" e nesta estavam detalhadas as condições para um crédito de 350 milhões de euros para a compra de ações do BCP e para refinanciar dívida do banco.

 

"Esta carta foi despachada para mim por Maldonado Gonelha", o administrador do pelouro, relembra Cabral dos Santos. E "mostra uma iniciativa de Berardo em consultar a Caixa para determinada operação", nota o gestor, defendendo "nunca ter andado a convencer ninguém para fazer investimentos em valores mobiliários. Não só porque me é vedado, como nunca o faria".

Segundo Cabral dos Santos, houve depois a indicação para estudar a operação e para a direção geral de empresas estabelecer o contacto com o cliente. Foi ainda pedido um parecer de risco à Direção Geral de Risco. A proposta foi depois apresentada em conjunto com este parecer. 

 

Depois, a 7 de março de 2007, aprovou-se o financiamento, mas não nas condições pedidas inicialmente pela fundação. Neste caso era pedido um aval, que podia ser dispensado após análise das contas da entidade, - o que acabou por acontecer - e um rácio de cobertura de 110% que podia ser revisto trimestralmente mas que tinha de ser reposto sempre que baixasse deste patamar. "Foi uma decisão de meio-termo", afirma Cabral dos Santos.

Na sua primeira audição, a 24 de abril, Cabral dos Santos afirmou que Joe Berardo não teve um tratamento privilegiado no banco estatal, "muito menos um tratamento à margem das regras".

O ex-diretor disse ainda, na audição anterior, que apresentar uma operação não é o mesmo que a defender, uma afirmação que deixou Francisco Bandeira "estupefacto".

"Essa pergunta não se põe relativamente a uma ou duas operações. Põe-se como se fizesse sempre isso: só fazia isso numa grande minoria das operações", afirma Cabral dos Santos esta segunda-feira. "O mais comum era apresentar operações que íamos atrás. Depois havia outras operações em que se chegava a um ponto em que há que decidir: ou se faz ou não se faz", nota.

E continua: "Não estamos a lavar as mãos. Mas a decisão é do conselho de crédito". Perante os factos, este é que "tinha de decidir".


(Notícia atualizada às 16:25 com mais informação)




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