Banca & Finanças CGD: Ex-vice-presidente garante que não negociou créditos com Berardo

CGD: Ex-vice-presidente garante que não negociou créditos com Berardo

Maldonado Gonelha, que tinha o pelouro das grandes empresas na administração liderada por Carlos Santos Ferreira, diz que "nunca" contactou qualquer administrador ou acionista do BCP.
CGD: Ex-vice-presidente garante que não negociou créditos com Berardo
Rita Atalaia 27 de junho de 2019 às 17:35
Maldonado Gonelha, ex-vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), garante que não negociou os créditos diretamente com o comendador Joe Berardo. Um empréstimo de 350 milhões de euros que foi utilizado pelo empresário para reforçar a sua posição no BCP, num período marcado por uma guerra entre acionistas no banco privado. 

"Não, nenhuma delas." Foi esta a resposta do ex-administrador do banco estatal quando questionado pela deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua se iniciou ou negociou diretamente algumas das operações de crédito ligadas a Berardo, nomeadamente a Metalgest e Fundação Berardo, ou à Investifino, de Manuel Fino. 

As questões foram enviadas no âmbito da comissão parlamentar de inquérito à gestão do banco estatal, que terminou na semana passada. 

Cabral dos Santos, ex-diretor da CGD, explicou na sua audição que encontrou no arquivo da CGD uma carta, com data de 10 de novembro de 2006, da Fundação Berardo, assinada por Berardo e dirigida a Carlos Santos Ferreira, então presidente do banco estatal. O assunto desta carta era "concessão de linha de crédito" e nesta estavam detalhadas as condições para um crédito de 350 milhões de euros para a compra de ações do BCP e para refinanciar dívida do banco. 

"Esta carta foi despachada para mim por Maldonado Gonelha", o administrador do pelouro, disse Cabral dos Santos, notando que houve depois a indicação para estudar a operação e para a direção geral de empresas estabelecer o contacto com o cliente. "A Direção Grandes de Empresas [DGE] não defendeu as propostas, apresentou a consulta feita à Caixa e foi apresentado também o parecer da DGE", acrescentou.

Questionado se defendeu estas propostas, Maldonado Gonelha diz que "não defendi nem me opus. Procurei que o conselho alargado de crédito chegasse a uma decisão consensual, e foi isso que aconteceu, sem qualquer oposição dos membros do conselho e aprovação dos membros do conselho de administração presentes, incluindo eu". 

Maldonaldo Gonelha, que está agora no Brasil, garante ainda não ter tido qualquer contacto com administradores do BCP. "Nunca contactei quem quer que fosse do BCP ou de outro qualquer banco", disse. E acionistas? "Não, nunca". 

O ex-vice-presidente da CGD foi um dos inquiridos que respondeu por escrito à comissão parlamentar de inquérito à gestão do banco estatal. Também estava previsto que Almerindo Marques, o ex-administrador da CGD que enviou uma carta a Vítor Constâncio a alertar para a política de crédito da Caixa, respondesse por escrito. Porém, conforme explica fonte parlamentar, os grupos parlamentares acabaram por não enviar questões. Ficam ainda a faltar os esclarecimentos do ex-primeiro-ministro José Sócrates.




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