Banca & Finanças Chefe de gabinete de Maria Luís fala em tranquilidade de Bruxelas com Banif 

Chefe de gabinete de Maria Luís fala em tranquilidade de Bruxelas com Banif 

Até ao fim do mandato do Governo de Passos Coelho, a Comissão Europeia tinha como plano central a reestruturação do Banif, com a separação entre activos bons e maus mas sem resolução, defendeu Cristina Sofia Dias.
Chefe de gabinete de Maria Luís fala em tranquilidade de Bruxelas com Banif 
Carolina Cravinho
Diogo Cavaleiro 05 de maio de 2016 às 19:50

A antiga chefe de gabinete de Maria Luís Albuquerque alinhou com a ex-ministra das Finanças na posição de Bruxelas em relação ao Banif: não havia qualquer pressa. E a resolução era apenas um plano de contingência, para o caso do processo desenhado por Jorge Tomé e pela consultora N+1 falhar.

"Quando saí do Ministério, continuávamos a trabalhar no plano da N+1. O que previa era que o "closing" do negócio tinha de ser feito até final de Março [de 2016]", disse Cristina Sofia Dias na audição de 5 de Maio na comissão parlamentar de inquérito.

Segundo a chefe de gabinete de Maria Luís Albuquerque, convocada pelos partidos devido à relação privilegiada em relação aos bancos capitalizados pelo Estado, não havia qualquer pressão para que houvesse uma solução para a instituição financeira até ao final do ano.

O plano "central" era o da N+1, consultora que preparou a separação entre os activos bons – para venda futura – e os activos não performantes – crédito malparado e activos imobiliários.

Este plano esteve em vigor até 30 de Outubro, quando Cristina Sofia Dias saiu do Governo. Aliás, a chefe de gabinete referiu, por várias vezes, uma carta de 28 de Outubro da Comissão Europeia, que chegou no dia seguinte, e que "demonstra bem a abertura para continuar a discutir" aquela operação.

Segundo Cristina Sofia Dias, Bruxelas estava "pelo menos disposta" a discutir o projecto. Recusou, por isso, que tenham colocado de parte a hipótese, o que vai contra o que disse o secretário de Estado Adjunto, do Tesouro e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, que defende que sempre se deparou com uma Bruxelas em que não havia tanta boa vontade com esse plano.

Além disso, Cristina Sofia Dias também considerou que o Banco de Portugal, até essa altura, estava ao lado do Governo, do Banif e da N+1: disponível para a separação de activos e venda posterior. A administração do banco defende que, a meio do mês de Novembro, quando Portugal ainda estava em negociações para a formação do Governo, houve um volte-face do regulador bancário e que começou a tornar central a resolução do banco e não o plano da N+1.

A antiga chefe de gabinete da ministra das Finanças também afastou um pouco a ideia de que Bruxelas é intransigente e que tal foi visível no caso Banif: "A Comissão aceitou sempre dialogar. Apesar de manter situação de desconfiança metódica, aceitou sempre continuar a discutir, a receber informação. Isso parece-me demonstrativo de boa vontade. Pode ser por razões puramente egoístas. Mas eles tentaram manter essa porta de negociação aberta".

O Banif acabou por ser alvo de uma medida de resolução a 20 de Dezembro de 2015, com perdas para accionistas e detentores de dívida subordinada, injecção de 2.255 milhões de euros estatais e venda ao Santander Totta da actividade bancária tradicional.




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