Banca & Finanças Comissão de trabalhadores da Açoreana teme "futuro incerto"

Comissão de trabalhadores da Açoreana teme "futuro incerto"

A comissão de trabalhadores da Açoreana lamenta não haver uma "cláusula de salvaguarda dos postos de trabalho" na venda à Apollo, que assinou um pré-acordo de compra da companhia. Os valores do negócio continuam a ser uma incógnita.
Comissão de trabalhadores da Açoreana teme "futuro incerto"
Bruno Simão
Diogo Cavaleiro 08 de fevereiro de 2016 às 18:06

A comissão de trabalhadores da Açoreana emitiu um comunicado em que considera que está perante um "futuro incerto" no âmbito da venda da companhia. Esta segunda-feira, 8 de Fevereiro, o regulador do sector, a ASF, anunciou um pré-acordo de alienação ao fundo americano Apollo.

 

"Apesar de todas as diligências efectuadas pela comissão de trabalhadores junto dos grupos parlamentares, do Ministério das Finanças e do Ministério do Trabalho, e depois de trazermos do Ministério das Finanças a intenção da manutenção dos postos de trabalho, o regulador assegura-nos um futuro incerto", indica um comunicado enviado pela comissão aos cerca de 700 trabalhadores da companhia.

 

O comunicado foi enviado depois de a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) ter informado "que foram estabelecidos entre a Apollo Global Management e os accionistas da Açoreana, SA, os termos de um pré-acordo de venda e capitalização da Açoreana". Não foram avançados mais pormenores sobre a operação, sabendo-se apenas que há um valor de venda e um posterior aumento de capital para tapar o buraco na companhia.

 

Ao que o Negócios conseguiu apurar, a compra do capital da empresa prevê a transferência da totalidade dos postos de trabalho da empresa. A comissão de trabalhadores lamenta, contudo, que, na transacção, não esteja incluída uma "cláusula de salvaguarda dos postos de trabalho".

 

"Neste processo tenta-se garantir o menor prejuízo possível para os accionistas mesmo que tal implique o despedimento de 700 trabalhadores", alerta a comissão de trabalhadores.

 

Um dos grandes visados pela crítica do órgão representativo dos funcionários é o regulador liderado por José Almaça (na foto), que assegurou a liderança do processo de venda dada a situação de emergência da companhia. Por ser accionista do Banif e por ter de respeitar as novas regras de solidez, a Açoreana ficou com um buraco financeiro (o investimento em acções do Banif tinha sido de 75 milhões de euros, um valor perdido dado que as posições accionistas ficaram numa entidade esvaziada de activos). Em Janeiro, a capitalização necessária prevista ascendia a 50 milhões de euros. Não se sabe, no entanto, qual o valor que ficou pré-acordado neste processo que, com a venda, tentou evitar a liquidação da seguradora. 

 

"Os problemas graves que a nossa companhia atravessa não foram criados por nós. Existem responsáveis, sem dúvida, e os trabalhadores não podem sofrer as consequências da irresponsabilidade dos actos praticados pela gestão", lamenta ainda o comunicado da comissão de trabalhadores.

Com esta operação, o fundo americano Apollo consegue subir ao segundo lugar na classificação do ramo não vida em Portugal, superando a Allianz (tendo em conta os dados do final do ano da ASF). É a segunda companhia de seguros que a Apollo compra na sequência de intervenções na banca. 

Para já, o silêncio impera em torno desta operação. Não foi possível, até ao momento, obter explicações adicionais por parte do regulador (ASF), do comprador (Apollo), dos vendedores (Oitante e Soil), da Açoreana e do Ministério das Finanças. 




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